31/07/2008

Ódio, ridículo

Não sei o que acontece comigo... A TPM já acabou e mesmo assim continuo sentindo, eventualmente, ódio extremo por certas besteiras. E sabe, isso tamném me dá ódio. Ainda bem que só fico assim co coisas superficiais, portanto, perdôo logo a situação e me acalmo, esquecendo o motivo pelo qual me deixei levar (e ser praticamente enganada) por emoção tão ...ridícula. Porque acho que não existe coisa mais ridícula, no pior sentido que a palavra pode ter, do que sentir raiva ou ódio.
Um dos heterônimos do Pessoa, vergonhosamente não me lembro qual, disse que cartas de amor são e TÊM de ser ridículas. E devo dizer que desse ridículo eu gosto, e bastante. Porque esse "ridículo" é o que não tem medo, o que faz coisas inusitadas, o que cria, o que está à frente do agora, o inovador. O ridículo do ódio é mesquinho e medroso; constrangedor.

30/07/2008

Minha única pipa, a que nunca realmente tive

Finalmente consegui enxergar o óbvio: me atraio por constância, rotina e estabilidade por causa da minha inseguramça (tanto em relação a mim mesma quanto ao mundo).

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Ontem fiquei ociosa no serviço, e comecei a ler O caçador de pipas, que está na estante da chefe, quando ela saiu para resolver coisas em obras. E comecei a me lembrar da única pipa que tive, aos cinco anos. Papai me levou à papelaria e eu escolhi o peixinho cor-de-rosa. Fomos à pracinha perto de casa pra mór di empinar. Quando ele a colocou lá no alto e me passou a linha... Já era apenas uma linha. Algum moleque filho da puta roubou a pipa de mim.
Olhando para trás, acho que foi a primeira grande frustração da minha vida.

26/07/2008

My dead dad

Escutar Eric Clapton é escutar meu pai. E tenho me lembrado tanto dele, ultimamente. Ele tocava guitarra maravilhosamente; era talentosíssimo. Minha história com ele foi meio louca, Eu tinha oito anos quando meus pais se separaram, e depois disso meu pai começou a beber ainda mais, fazendo com que nossa relação se tornasse conturbada... Quando eu tinha treze anos, ele morreu. Atropelado, num dia em que ele foi para o serviço sem que precisasse ir. O laudo do IML dizia que não havia álcool no sangue dele (e eram umas dez da noite). E mais assustador: eu não o via há seis meses quando isso aconteceu.
Comecei a tocar quando fui buscar as coisas dele na casa da minha vó (o violão, inclusive).
Às vezes me sinto culpada por não me dedicar tanto à guitarra. É como se fosse minha obrigação, minha missão, continuar a tocar, com o sangue dele, com a alma dele.

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Acabei indo sozinha-inha mesmo no DJ Club. Foi legal, mas não tanto quanto o seria se meus amigos queridos estivessem comigo... Pelo menos não vi o ex lá. Já é uma vantagem.

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Semana que vem começam as aulas com a corda toda. Último semestre. Concurso da Viver Bem. TCC. Medo.

25/07/2008

Saudade do futuro

Sabe quando você troca meia-dúzia de olhares com alguém no busão e acaba não trocando nem uma palavra com ele? E aí você fica pensando que ele poderia ser o amor da sua vida? E você sabe que provavelmente nunca mais o verá de novo. É angustiante. Mas é melhor do que nada acontecer.
I wish I could laugh... But that joke isn't funny anymore...
Hoje seria meu último dia na pm se eu não tivesse pedido baixa antes. E aí passo em frete ao panelão e fico nostálgica e saudosa... Lembrando das aulas de Direito Administrativo, nas quais eu ficava lendo Augusto dos Anjos com um dicionário na mão, fazendo um mini-glossário no rodapé de cada página. Bons tempos.

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Hoje vou all alone para o DJ Club, já que ninguém quis/pôde ir comigo. Espero conseguir chegar viva lá.

23/07/2008

Descobertas

Hoje de manhã ganhei um presente: um céu cinza-azulado enfeitado com uma lua recém-minguante. E a árvore (que fica em frente à minha janela e invade a sala às vezes) ajudou a compor a linda cena.
O dia está bonito. As cores estão mais suaves, sutis e escuras. E está um clima que desagrada 90% das pessoas, deixando-as todas quietinhas, o que me proporciona ainda mais tranqüilidade nas viagens de busão.

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Comecei a ler Paz, Amor e Sgt. Pepper, e a cada parágrafo, George Matin me emociona e me faz uma menina mais feliz e nostálgica. Onde foram parar esses conceitos de paz e amor que eram tão vivos dentro de mim? Espero que a leitura me ajude a encontrá-los, me ajude a me reencontrar.

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Ontem joguei Sega Soccer com o Ciro no meu lindo megadrive. Ganhei de 10 a 2, uhuuu! Gritei tanto que hoje acordei com dor de garganta.

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Hoje aconteceu um troço louco. Uma coisa com a qual eu sonhava desde pequena.
O escritório em que trabalho é uma casa antiga, que está sendo reformada. O lavabo ainda está sem porta, nos obrigando a usar um banheiroinho dos fundos, que é zoadinho e sem eletricidade, dentro de um quartinho cheiuo de bagunças empoeiradas. E pela primeira vez, hoje vi que há uma porta do lado esquerdo do quartinho, mas da qual, pelo fato de o lugar ser escuro, eu nunca tinha me dado conta. Acendi a lanterna do meu celular para ver o que havia lá, e vi uma escada de madeira. Fui entrando devagar, e quando cheguei lá em cima vi uma sala com um rack sei lá, dos anos 60, uma tv dos 70, um sofá tão velho com botonês caindo, tecido desbotado e estampa ultrapassada. Num dos quartos havia um conjunto de móveis escuros e cheios de rococó que devem ser dos anos 50 ou 60; tinha penteadeira, cômoda, guarda-roupa... E a cama de casal era bem grande. Tudo escuro, empoeirado... Assoalho e teto de madeira...
Desde sempre eu fui muito curiosa e fuçona. Isso inclusive já me levou a vasculhar muitas coisas que não deveria. Esse impulso foi diminuindo e sendo controlado conforme fui crescendo, mas até hoje, quando vejo uma casa antiga e mal-tratada, fico me remoendo, morrendo de curiosidade. Tenho vontade de ouvir histórias sobre ela, ler cartas dos moradores, abrir caixas com fotos, abrir gavetas... É de gente estranha, mas é como se eu quisesse descobrir algo dentro de mim mesma. Eu sempre fui sedenta por descobertas. Não grandiosas, mas bonitas, singelas, que significassem algo para mim ou para alguém.
Que experiência maluca e inspiradora.

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Descobri que minha chefe é psicóloga. E escorpiana. Ainda não sei se isso é bom ou ruim, mas ou é muito bom ou é muito ruim.

21/07/2008

Quanto tempo o coração leva para sabeeeeeeer... Que o sinônimo de amar é sofreeeeeeer?

Na volta do serviço, peguei o Bresser para ir de metrô e chegar mais cedo em casa na minha última segunda-feira de férias. Aquele micro-ônibus me assustou; estava muito muito lotado. No ponto final eu estava quase escapando pela janela, e olha que eu fui de pé! Foi uma experiência de verdadeira união com as pessoas...
Mas, sortuda e iluminada que sou, me aconteceram duas coisas legais: primeiro alegrei o dia do moço que segurou minha sacola, mostrando o lado bom daquela coisa lotada.
-- Pelo menos o asfalto não é esburacado, o ônibus é bom e o motorista também, o trânsito a essa hora ainda não está tão ruim... Poderia ser beeeem pior!
E ele sorriu. Fiquei feliz; queria fazer sempre alguém sorrir.
A segunda coisa legal é que entre as melecas auditivas que tocavam na Gazeta FM (que idéia de jerico essa de colocar rádio no busão), pude ouvir Sinônimo do Chitãozinho e Xororó com o Zé Ramalho, e comecei a lembrar da balada de sexta e do moço que não me ligou nem vai ligar. E acho que não vou ligar também. Puá.

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Há uns dois anos e meio, bem no começo do meu namoro com o Marcos (meu único namoro, after all), eu freqüentava o Sesc Santana, pois estava desempregada e cmo tempo de sobra. Todo dia ia lá, com livrinho do Pessoa embaixo do braço. E lá conheci um menino esquisito que ia lá todo dia também, que falava com um sotaque de lugar nenhum, tocava órgão e era mórmom, e vivia querendo me doutrinar. Certo dia, ele olhou no fundo dos meus olhos, gaguejando e tremendo, e disse:
-- Você é uma moça muito legal... Inteligente... Bonita... -- o cara me achava inteligente. Ele dizia "a gente vamos", então é claro que eu era inteligente perto dele.
-- Obrigada -- sim, com essa frieza.
-- Será que a gente podia sair, um dia desses?...
-- Não, não; eu tenho namorado.
O moço ficou de todas as cores possíveis e depois disso desapareceu.O ponto é que ontem eu estava falando com minha mãe sobre o tamanho crescente da minha carência, e lembrando de alguma possibilidade de gente para a qual eu posso ligar.
-- Mãe, lembra do mórmom?!
-- Ah não, Dé! Você não pode estar tão carente assim, meu! Você já chegou a esse ponto?!
-- Porra, mãe! Claro! Fiquei com um cara parecido com o XORORÓ às 5h! Claro que eu já cheguei e até passei desse ponto!
Shitzm.

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Hoje fui a condomínios chiques, medir halls, conferir obras. Na volta, passamos numa loja de iluminação que me fez sentir uma deandertal esfomeada. Mas foi legal; pelo menos não fiquei o dia inteirinho sozinha no escritório. Aliás, essa solidão toda daqui a pouco vai me causar uma depressãozinha básica, of that I'm sure.
Sem namorado, sem colegas. Snif.

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Mais um post mal-escrito por falta de temp para revisão. Sorry 'bout that.

18/07/2008

Lindas tragédias

Como é bom escolher ver o lado bom das coisas. Não só "lado bom". No meu caso acho que seria um "lado poético". Acordo às 5h30, pego o primeiro ônibus uma hora depois, o segundo às 7h10, para chegar umas dez para as oito no escritório. E o caminho na Paes de Barros me permite ver, na ida, o sol começando a aparecer atrás dos prédios, e na volta, o sol se pondo. Que delícia é o inverno. O deste ano está particularmente bom -- tempo seco, sol, frio.
Ir para o serviço assistindo o Sol nascer, escutando Smiths (Shoplifters of the World seguido de There is a Light That Never Goes Out), lendo Eram os Deuses Astronautas? só não é melhor do que voltar para casa, sentada, assistindo o Sol se despedir de São Paulo, ouvindo QOTSA (Feel Good Hit of the Summer seguido de In the Fade) e fazendo Sudoku. Dá quase para esquecer os dois foras da última semana. Aliás, parece que TUDO aconteceu nas duas últimas semanas. But I can't complain; detesto marasmo com tanta força que prefiro até tragédias do que estagnação.
Ah, na verdade eu sei algo melhor ainda do que tudo isso: uma loja cujo nome é URHAIA HIPP Jeans Wear, hahahaha... Fiquei rindo sozinha no bumba que nem doida!

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Hoje é dia de dançar muito e alterar a consciência quimicamente no DJ Club, iupi!