Fui a uma biblioteca longínqua com minha maninha. Lá, procuramos revistas e começamos a ler, com bastante empolgação, as frivolidades. O clima começou a ficar pesado, sentimos algo estranho, uma desesperada vontade de voltar para casa. Quando olhamos para trás, as senhoras bibliotecárias já tinham começado o evento, e já não tínhamos chance de escapar. Fomos lá e entramos na roda, com mais umas 5 pessoas. E lá estavam os utensílios: velas pretas e vermelhas, caldeirão, bebidas, espadas, machados, punhais, ervas.
Com um esquisito tom de voz e uma postura corporal totalmente diferente da de senhoras respeitáveis, as bibliotecárias e os outros participantes começaram a proferir palavras amedrontadoras, em outras línguas, com vozes graves, metálicas. Anunciaram que alguém ali deveria se doar para o ritual. Uma mulher, em transe, caiu no meio da roda. Atearam fogo nela, e no mesmo instante houve uma grande combustão, o fogo apagou, e ela agonizou, revestida em carne viva. Uma das líderes preparou os objetos cortantes, e sem cuidado algum lançou-o no corpo com violência impetuosa, jorrando sangue em todos nós. Após esquartejar o corpo inteiro, ofereceu uma parte específica para cada um dos integrantes do ritual, e todos saborearam a carne fresca, exceto minha irmã e eu, que comemos por uma obrigação cruel. Assim se encerrou o agradável encontro: sangue espalhado por todos os lados e um corpo humano mutilado e parcialmente ingerido.
Bia e eu saímos apavoradas, chorando copiosamente de medo, nojo, desespero e mais todos os outros sentimentos ruins que nos enchem de adrenalina. Encontramos nossos respectivos namorados, e saímos de lá correndo. Um deles teve uma ideia brilhante: irmos para uma outra biblioteca. Após a longa viagem de ônibus, entramos em outra biblioteca. Lá todos tinham os mesmos sintomas: voz alterada, olhar odioso, atitudes violentas. Dessa vez conseguimos escapar, mas a cada lugar que íamos, nos assustávamos mais com as pessoas. Nos sentimos encurralados. Resolvemos, então, comprar alguns microfones extras para o KatzenMuzik. A primeira loja de instrumentos em que entramos tinha um cara parecido com o irmão do Leatherface no primeiro Massacre da Serra Elétrica, e saímos de fininho. Na segunda, o vendedor estava desesperado, e nos confessou que ia fugir dali ou se suicidar, pois todos naquele bairro já estavam possuídos por forças malignas das mais poderosas. Pegamos os microfones e o Rafa sugeriu para mim, fofo e romântico: "vamos cantar juntos? aquela do Marvin Gaye e a Terry!" e então ele começou, olhando ternamente para mim: "Listen, baby; ain't no moutain high, ain't no valley low, ain't no river wide enough, baby" e eu: "If you need me, call me, no matter where you are, no matter how far..."
Esse foi o pior pesadelo da minha vida, mas até nele o Rafa apareceu e deixou tudo lindo e mágico.
19/03/2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 tagarele também!:
Postar um comentário