Duas abordagens contrárias e específicas para explicar os fatos da vida:
Alguém que vive em postura de coautor da própria existência e também do ambiente que o rodeia tem uma noção de responsabilidade bem amadurecida. No caso de algo ruim acontecer, ela provavelmente passará por momentos de introspecção, para entender o porquê de o evento ter acontecido, para analisar a frequência em que ela estava para atrair tal coisa. Já uma pessoa que crê no acaso e na fatalidade (alegando ou não acreditar em Deus; disto falarei adiante) enxerga os fatos de outra forma. Se tropeçou e torceu o tornozelo, é porque a casca de banana estava lá atrapalhando, aquela maldita casca de banana. O máximo de objeção e reflexão a que ela pode chegar está nos limites de discursos como "como pode ainda haver gente que joga casca de banana no chão [meu Deus]?". Claro que isso é metafórico.
Veem a diferença? Uma vai para dentro, a outra para fora.
Uma pessoa espiritualizada tende a perceber a própria responsabilidade. Ela não só crê, como estuda e vivencia as energias e como elas mesmas as mudam. As que estão sempre voltadas para fora, sejam as direcionadas pela religião (olha o eufemismo aí, geeente!) ou as ateias mesmo, por poderem ter uma visão materialista, podem acabar criando a maior das superstições: a crença nos acasos.
Até onde a crença limita nossa responsabilidade?
Até onde o materialismo limita nossa liberdade?
Os astrólogos, que sabem prever com bastante precisão os eventos, provavelmente recebem pessoas reagindo maravilhosamente bem a um trânsito de Netuno, por exemplo, mesmo sabendo que muitas coisas nebulosas e depressivas podem acontecem quando ele entra em contato com o Sol ou outros planetas na carta natal.
As limitações de livre arbítrio não anulam o senso de responsabilidade possível a todos que estão conscientes da cocriação, muito pelo contrário: abre a mente para nos prepararmos e refletirmos sobre o que está prestes a acontecer e nossa utilização dessas energias.
Uma coisa que considero importante é, mesmo com responsabilidade e maturidade, saber que ainda assim somos coautores, e saber agradecer a tudo que acontece, seja bom, seja ruim. Aquela coisa Seicho no Ie maravilhosa de ter o sentimento de gratidão constante.
***
Não consegui elaborar tão bem em palavras o que está bastante claro na minha mente.
E ufa, sem comodismos, porque esses insights eu tive de maneira reformulada e mais intensa após ter passado por situações não tão agradáveis.
Who?
- Debora Helena
- São Paulo, São Paulo, Brazil
- Desesperada e entusiasmada. Resmungona e sorridente. Divirto-me com pouco.
Good times, bad times
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