Uranim

Urano em trânsito na minha casa nove, chegando em meu Júpiter natal ariano (que faz trígono ao meu stellium sagitariano de casa cinco), e eu passo sem estudar em uma faculdade pública para um curso que nunca antes considerei fazer e que tudo a ver com esse contexto astrológico: turismo.
The times they are a-changing, e acredito que desta vez as coisas estão ficando maiores e mais estáveis.

Um pouco sobre os sons organizados da minha vida

Já faz muito tempo que tenho preferido o silêncio ou o barulho ambiente ao som organizado das melodias e harmonias dos meus tantos e amados cds. A primeira vez que me distanciei dessas músicas, que eu tanto prezava (e ainda prezo em algum nível), foi quando comecei a compor pela primeira vez, há quase dez anos. Eu não queria ser influenciada de forma direta por nada de que eu gostava, ainda que estivesse consciente de que muito do que eu produzisse traria minha herança de gostos musicais. Essa foi uma boa decisão, consegui compor poucas canções, mas as tenho guardadas com grande apreço. Depois, fiquei separada da minha guitarra e do meu violão por mais um longo período de tempo, um tempo em que fazer o tempo andar mais depressa era prioridade para mim. Sim, uma estúpida prioridade, que até hoje me apunhala quando minha memória acessa esses medíocres arquivos.
Minha segunda tentativa de fazer música contou com inúmeros fatores de frustração. Todos os que poderiam existir, na verdade, por envolver situações afetivas complicadas, falta de sintonia nos objetivos, falta de técnica, enfim, toda a sorte de empecilhos imagináveis. Durante esse período, eu já não tinha mais a angústia antecipada de não sofrer influências - me sentia mais leve e me permitia também usufruir da contemplação da música, o que sempre gostei muito de fazer, fazendo da Debora adolescente uma especialista em metal, rock gótico e outras vertentes mais alternativas. Mas, ainda assim, foi um fiasco - apostei em algo que, se eu tivesse um pouco menos de inocência, já teria sido fruto de desistência muito antes de até mesmo começar.
Hoje me vejo em um novo passo musical da vida; estudo música formalmente, já sei até ler partitura, coisa que eu, na ingenuidade rebelde de alguns anos atrás, julgava superficial - o que importava era a inspiração e o "feeling". Cresci e vi que estava bastante errada (essa é uma frase que posso utilizar em quase todas as áreas da minha vida, se tem uma coisa que já fiz muito na vida é estar errada), e agora corro atrás do prejuízo. Tenho um novo projeto, e estou apostando minhas maturidades musical e pessoal nele.
Ouvi de uma amiga uma frase muito importante, que segundo ela é do Steve Jobs (sei nada sobre ele, só que ele trabalhou no Atari): alguns pontos na vida nós só conseguimos ligar quando passamos por eles e olhamos para trás. É bem verdade; olhando para trás, consigo ligar um monte de pontos. O resultado do desenho que os pontos e traços formaram não me agrada muito, mas me dão algum orgulho. Sempre procurei fazer o que mais quis, e na maioria das vezes consegui agir de acordo com minhas prioridades - por babacas que elas fossem.


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Desesperada e entusiasmada. Resmungona e sorridente. Divirto-me com pouco.

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