Diálogo que tive neste instante com um amigo muito querido

Amigo querido: eita menina!
eu que não queria te ver brava!

Eu: por quê? :( tenho cara de assassina?

Amigo querido: de assassina não! de perturbada!!

Eu: sério? :/

Amigo querido: sério! todas as pessoas que eu acho mais legal quando conheço um pouquinho melhor descubro algum "distúrbio".

Eu: ai credo. você sempre achou que eu tinha cara de perturbada?

Amigo querido: I fink u freak and I like u a lot #dieantwoordfeelings

Boa notícia e seus efeitos colaterais

E então vejo uma boa notícia dessas e fico torcendo para ninguém do trabalho falar sobre isso perto de mim. Caso isso aconteça, penso em duas possibilidades:

1) Fingir que acho tudo isso um absurdo. E god knows I don't know how to fucking lie. Fico imaginando as frases que poderia inventar:
- Que absurdo, isso vai acabar com os valores da família brasileira! (será que consigo dizer isso sem ter ânsia de vômito logo em seguida?)
- Minha nossa, mas e agora? Já não basta terem aprovado a união civil de homossexuais e agora essa? (argh)

2) Falar tranquilamente que acho normal e que, se você não quer ter uma união estável com mais de uma pessoa, você não é obrigado. Eu mesma tô aqui, hiper monogâmica e feliz como sempre fui, e a favor de quem quer ter um relacionamento poliamor.
E acrescentaria o exemplo do aborto. Muitas pessoas não conseguem pensar e entender que, se o aborto for legalizado, você não vai precisar matar seu feto de 8 meses que você tentou há cinco anos ter. Não, gente, você vai continuar tendo filhos se assim o quiser.
Acho que não vou usar essa tática, porque eu ouviria muitos argumentos absurdos e eu teria a tal ânsia de vômito.

João Batista Parte II

Esqueci de citar uma parte importante da conversa que mostrei nesse post: 

-- Martinho Lutero era espírita.
-- Espírita?!?!!?!?? Martinho Lutero?!?!?!
-- É. Se você for ver o que ele falava, tem muito a ver com o Espiritismo.
(eu tentando ser polida) -- Ele citava algo sobre caridade, e tal? Porque aí até podemos considerar que haja uma analogia ao Espiritismo.
-- Isso, mais ou menos por aí.

WHA?!
Eu sei, eu sei, isso dói. Dói tanto que eu já havia filtrado para o inconsciente.

Minhas inúteis indignações

Fraquejei de novo. Entrei em mais uma discussão infrutífera. Oh céus, o que está acontecendo?
Desta vez foi uma moça do trabalho. Não sei ao certo como, mas ela começou a falar:

-- Tem mulher que gosta de apanhar, que merece, porque escolhe ficar com um vagabundo.

Ai gente, essa misoginia não me desce. Discuti com ela, expliquei que acredito que a culpa não é da mulher, porque a maioria tem medo das ameaças que recebe do marido etc. E ela usou o seguinte brilhante argumento, seguido de minha nobre tentativa de elucidação:

-- A mulher começa a bater no homem e depois ele revida e a culpa ainda é dele?
-- Mas isso não existe, a violência doméstica contra homens simplesmente não é uma realidade estatística no Brasil.
-- Ah, mas tem mulher que merece apanhar mesmo.

Eu tive que mudar de assunto, me fazer de desentendida. Não, não dá para conversar sobre qualquer coisa com qualquer um sem sofrer um enorme desgosto.

João Batista

Ontem discuti com um evangélico no trabalho. Ele não é bem evangélico, ele já foi, mas não frequenta mais a igreja. Estávamos falando de pastores evangélicos que roubam dinheiro do povo e coisa e tal. E então, não sei como o assunto se enveredou para isso, mas:

-- A igreja evangélica é mais antiga que a católica
-- Não, imagina! Martinho Lutero fundou o protestantismo no século XVI!
-- Mas a igreja batista foi criada por João Batista, que batizou Jesus Cristo
-- Mas é um fato histórico? Que eu saiba, a igreja católica foi criada por que os romanos disseram "ixi, esse povo não vai adorar César e só quer saber de Jesus mesmo, vamos fingir que nos convertemos e criar a nossa própria igreja cristã", isso no século III ou IV, e nada a ver com João Batista. Fatos históricos.
-- Não, a igreja batista foi criada por João Batista na época de Jesus

Fiquei com sangue nozói.
Caso eu esteja errada e existam provas concretas de que a igreja batista (que é protestante) existe desde a época de Jesus, por favor, alguém poderia me fornecer tais informações?

É isso que dá tentar conversar algo um pouco menos raso em horário de almoço com colegas de trabalho. Deveria ter falado "você viu aquela propaganda, que engraçada?" e aí todos iriam gostar de mim. Mas não assisto TV. Eles começam a falar da novela, de Cadinho e Tufão, que nem sei o que são, e fico boiando.
Realmente, preciso aprender a ser tolerante urgentemente. Preciso aprender a ser dissimulada. Quando o cara falou "a igreja batista é da época de Jesus", eu deveria ter arregalado os olhos e dito: "nossa, é meeeesmo?!". Mas tenho esse péssimo defeito de ser ~sincera~ o tempo todo.

Procyon

Para escrever este post, tenho que contar uma história triste e medíocre da minha vida.

Parte 1:

Quando criança, eu tinha uma mania imbecil de, ao andar nas ruas com pai / mãe, passar a mão nos portões das casas, senti-la (minha mão) tremendo loucamente era o maior barato e eu nem ligava que ela ficava toda preta no fim de um passeio de quinze minutos. Mentira, eu tinha vontade de chorar, mas eu esquecia sempre desse efeito colateral.
Minha mãe já havia tentado de tudo para me fazer parar com a tal mania imbecil. Eu acho, não lembro. Só me lembro da tática que acredito ter sido a última instância, por ser um tanto radical: afirmar para mim que se eu fizesse isso UM CACHORRO IRIA ARRANCAR MEU BRAÇO. Aí eu parei. E fiquei com um puta medo de cachorro até uns 7 anos atrás, quando passei a mão em um cachorro pela primeira vez com alguma tranquilidade. Ainda assim, nunca vejo cachorros, não tenho naturalidade em brincar / mexer com eles.
Entretanto, há mais ou menos um mês, fui brincar com um salsichinha que estava amarrado na frente de um estabelecimento comercial. O filho da mãe me mordeu, e só agora cicatrizou. Vou ficar com uma cicatriz, mas até aí tudo bem, porque eu amo cicatrizes. Tenho uma no pescoço que parece uma mordida de vampiro (na verdade é uma marca de catapora, mas eu tinha orgulho de falar que era mordida de vampiro, até vampiros tornarem-se ridículos e dignos de vergonha) e gosto muito dela.
O mais importante desse episódio do salsichinha é que, quando fui mordida (nem foi grave, só pegou um dedo e arrancou a pele e epiderme), chorei como uma criancinha, como se finalmente um cachorro tivesse "arrancado meu braço". Foi assustador, creepy, constrangedor.

Parte 2:

Estudo Astrologia há um tempão.

Comecei com:
Sol em Sagitário, Ascendente e Lua em Câncer: ímpeto de ir em frente, ter objetivos, arriscar, ser meio maluquinha, ao mesmo tempo em que quer colo, quer cuidar, e tem uma mãe superprotetora. Até aí, interpretação parca e superficial, mas eu achava que sabia algo sobre mim (e isso que falei não deixa de ser verdade).

Depois de um pouquinho mais de estudo, lá veio:
Marte e Plutão em Escorpião, em conjunção de 3° bem em cima do Fundo do Céu. Ok, não vou nem falar sobre isso, tá? Mas não é pouca merda não. Beleza, I can handle even that.

Mas agora que estou tendo aula de Morin, aprendi um pouquinho do maravilhoso mundo das estrelas fixas. E aí descobri que tenho a estrela fixa Procyon no grau exato do meu ascendente, e ela é responsável por tendência a mordidas de animais e por fama súbida precedida de morte drástica. E agora não posso ver um cachorro na rua que tremo as pernas, fico com a boca branca (minha boca fica branca sempre que fico assustada). E o pior, meu sonho sempre foi ser famosa, ser uma rockstar de sucesso. Agora, quando penso nisso, só penso *Mamonas Assassinas*.

Olhe pelo lado bom: vou superar tudo isso, quando souber de algo ainda pior. :D (isso foi só humor, que não sou TÃO dramática assim.)

Quem quiser ver, achei este pdf ótimo sobre estrelas fixas no scribd (para ver sobre Procyon, vide página 78).

Minha Pesquisa II: por que BDSM?

Comecei a escutar "rock" com onze anos de idade, quando conheci Beatles. Iniciei a jornada de tentar tocar violão logo em seguida. Então, conheci Metallica, Foo Fighters, Nirvana. Ganhei o maior sonho da minha vida até então -- uma guitarra -- e aprendi solos e riffs dessas bandas. Essas coisas mexem muito com alguém que só conheceu porcaria de televisão a vida inteira; minha mente começou a funcionar de verdade a partir daí.
Mais coisa ainda mudou quando conheci o Nine Inch Nails e Marilyn Manson. Fui apresentada a um tipo de estética gótica, rivethead, whatever, não sou especialista em sub e contraculturas. Mas sei que tudo aquilo me fascinou.

Nine Inch Nails
O primeiro vídeo que assisti deles foi The Perfect Drug, que é soturno e medievalesco. O segundo, Closer, o censurado pela MTV. Ainda assim, ele tem muitos elementos S&M. Depois de algum tempo, minha mãe comprou a Closure e o Broken Movie em VHS (estamos falando de 2002). E então assisti a Closer sem censura e pela primeira vez o vídeo Happiness in Slavery. Foi assustador e impressionante ao mesmo tempo. 


Marilyn Manson 
Além da identificação que sinto por ele ideologicamente, sempre gostei do visual assustador e chocante, especialmente do começo da carreira. Lembro que eu tinha um VHS (ainda devo ter) dele em que ele se cortava com uma garrafa recém quebrada. Chocante demais, mas choque é bom. Fora todo o conceito dos álbuns dele, os diferentes visuais que ele explorou durante a carreira, até o contato com o burlesco graças à diva Dita...


Agora que estou estudando BDSM, vejo que a estética é apenas uma das inúmeras facetas das práticas, mas é a única com a qual me identifico. Ao menos por enquanto. :) 

Minha pesquisa

A Gaia Escola de Astrologia incentiva os alunos, a partir do terceiro semestre, a fazer pesquisa, dando bolsa de estudo nas aulas de Metodologia. Aproveitei e abracei mais uma coisa, como se tivesse tempo, e iniciei a minha há alguns meses.
Escolher o tema foi dificílimo. Pensei em estudar os heterônimos do Pessoa, mas para isso eu precisaria de bem mais conhecimento literário do que tenho. Quis estudar as drogas e suas correlações com os planetas e aspectos no mapa natal, história da sexualidade e ciclos de Plutão nos signos e aspectos de Júpiter com Plutão. Acabei optando pelo BDSM associado a planetas e seus posicionamentos e aspectos. Ainda não sei no que vai dar; escrevi só o começo do projeto de pesquisa, mas estou empolgada. Encontrei uma tese sobre o assunto, uma monografia de um Doutor que se graduou na PUC. Entrei em contato com ele, ele deu o maior apoio. Meu orientador é um cara esplêndido, com o qual dá gosto de conviver. Que alegria.
Até agora, estou lendo apenas um livro astrológico sobre o assunto, o Astral Sexual. Não gostei do título e de algumas coisas do livro, mas o encontrei totalmente ao acaso numa livraria (eu nem ao menos compro livros novos!) e é o único que encontrei sobre Astrologia e Fetiche até agora, então, estou feliz e satisfeita.
{Se tiverem livros sobre sexualidade ou Astrologia ou ambos para indicar, I'm waiting! :P}
Outro livro de que beberei informação vai ser A História da Sexualidade do Foucault, porque quero dar embasamento histórico, sociológico e psicológico para falar do tema.

Em um próximo post eu falo o porquê dessa escolha.

Ao meu melhor amigo

Faz mais ou menos dez anos que você perguntou para mim se eu era satanista. Você, lá no fundão, já enturmado, e eu com as meninas médias sem importância, totalmente deslocada. Bom, deslocada eu tinha sido desde que nasci, até te conhecer.
Dói muito lembrar que não nos falamos mais. Eu até que gerenciei bem a memória, para não me culpar tanto e chorar ainda mais.
Afastei-me de você por um motivo plausível, mas nem você nem ninguém sabe qual é. Tentei te falar, mas acho que você não quer mais me ver, o que é totalmente compreensível.
Tenho vergonha de te ver, quando nos encontramos raramente em alguma reunião de amigos em comum. Porque fui uma pessoa péssima por um tempo, fiz escolhas ruins, agi de forma errada. Você foi única pessoa que conheceu o que tenho de melhor e o que tenho de pior. E só merecia o melhor.
Passo 90% dos meus dias sem essas lembranças. Mas quando qualquer emoção minha se exacerba de maneira catastrófica, tanto para a tristeza quanto para a alegria, eu sinto saudade, me arrependo, me culpo, imagino como teria sido se tivesse resolvido tudo antes, se não tivesse me afastado. Me torturo.
Acho que vou morrer com isso, com essas dúvidas e divagações dolorosas que aparecem ocasionalmente, como uma doença crônica.

O nome do blog

Não sei se escrevi sobre isso antes. Desculpe se eu for repetitiva.
The Happy Phantom é uma música da Tori Amos, do álbum Little Earthquakes, meu favorito dela.
Eu gosto muito dessa letra, porque ela me faz pensar na morte de uma maneira bonita e sem vitimização.
Você já pensou nisso? Se você morresse neste momento, você seria um fantasma feliz? Vamos tentar viver a vida para estar pronto para a morte sempre?



And if I die today I'll be the happy phantom
and I'll go chasin' the nuns out in the yard
and I'll run naked through the streets without my mask on
and I will never need umbrellas in the rain
I'll wake up in strawberry fields everyday
and the atrocities of school I can forgive
The happy phantom has no right to bitch

Oo who- The time is getting closer
Oo who- Time to be a ghost
Oo who- Everyday we're getting closer
The sun is getting dim
Will we pay for who we been

So if I die today I'll be the happy phantom
And I'll go wearin' my naughties like a jew
They'll be my ticket to the universal opera
There's Judy Garland taking Buddha by the hand
and then these seven little men get up to dance
They say Confucius does his crossword with a pen
I'm still the angel to the girl who hates to sin

Oo whoo- The time is gettin closer
Oo who- The time to be a ghost
Oo who- Everyday we're getting closer
The sun is getting dim
Will I pay for who I been

Or will I see you dear and wish I could come back
You found a girl that you could truly love again
Will you still call for me when she falls asleep
or do we soon forget the things we cannot see

Oo who- The time is getting closer
Oo who- The time to be a ghost
Oo who- Everyday we're getting closer
The sun is getting dim
Will I pay for who I been

And if I die today
And if I die today
And if I die today
Chasin' nuns out in the yard

Saudade

A palavra "saudade" é endeusada e utilizada à exaustão, por existir apenas em português (é o que dizem; alguém sabe se é verdade? não tô pra pesquisas superficiais hoje. nem pras profundas, actually). Realmente, ela exprime um sentimento bonito de nostalgia, que é completamente diferente da expressão mais próxima para isso na língua inglesa: "I miss you".
Sentir falta é um ato tão egoísta. Na verdade, quando você miss someone, você quer que ela esteja do seu lado. Não pensa nela. Legal? Não. E não estou julgando; percebi isso neste exato momento, em que estou sentindo falta de alguém. Queria que ele estivesse aqui comigo.

José

Eu estudo na Gaia Escola de Astrologia. Amo meus professores e colegas, mas a babação de ovo fica para outro post. Desço na estação Paraíso para ir para lá, e quando estava no outro emprego, chegava bem cedo e aproveitava as atrações culturais: gente virtuosa tocando no piano, aquele totem com um pc todo melecado com algum jogo meia boca rodando (o mais legal era o do Toy Story). Até algum tempo, toda sexta-feira tinha um show, mas aí acabou, e o palco virou um lounge informal onde as pessoas se encontram. Ah, também tem uma biblioteca ali. Que espaço legal de se ficar.
Em algum dia de janeiro aconteceu algo muito legal. Conheci o José. Eu estava sentada no tal palco, lendo algum livro de Astrologia enquanto ouvia alguma pessoa tocar uma sonata do Beethoven. Então, um senhor de terno sentou por perto, e eu, espécime de pessoa efusiva e sociável que todos adoram dizer detestar, fiz algum comentário pífio do tipo "nossa, e esse frio, hein?". E então engatamos um papo cabeça despretensioso. Ele me contou dos filhos, da filha mais velha que namorou cinco anos e ficou na fossa quando foi obrigada a terminar porque não estava feliz, do filho que iria começar a faculdade naquele ano. Me disse para aproveitar essa fase de namoro, porque depois do casamento vêm os filhos e as responsabilidades e a gente sente muita falta dessa alegria constante que é esperar as pessoas para nos encontrar e dar beijinhos. Quase falei pra ele "esse problema não vou enfrentar, porque não vou ter filhos!", mas seria meio inadequado. Enfim, ouvi aquelas palavras e quis mesmo aproveitar tudo aquilo, mas depois de algumas semanas isso simplesmente evaporou na minha mente.
Ele também contou do sobrinho que não gostou do livro do Hemingway que ele deu de presente, mas adorou Percy Jackson. Recomendou que eu lesse Camus, falamos sobre García Marquez e Bach. Foram quinze minutos muito preciosos.
Perguntei a ele o que ele fazia ali, e ele havia acabado de visitar a mãe que estava internada num hospital próximo. Estava esperando o metrô ficar mais vazio e confortável. Fiquei com o coração partido. Torci muito para correr tudo bem com todos, porque é muita hipocrisia ter esperança de que ela não morresse. Sabe, a vida é assim mesmo, mas ainda não nos acostumamos; queremos ser donos da pessoa e sermos dela para sempre, e a natureza não é assim. Isso faz com que sintamos muita, muita dor e, especialmente, sofrimento.
Depois de algum tempo, ele falou com um ar paternal: vai lá ver seu namorado, e boa aula! E assim fiz: fui, como se fosse uma ordem realmente superior.
Provavelmente nunca o verei de novo, mas acho que a conversa vai ficar gravada em mim para sempre.

E ainda não li Camus.

O que mudou em mim

- Faz algum tempo que não me interesso mais por música como costumava. Na adolescência e início de adultice, certas canções modificavam completamente meu estado de espírito, e eu utilizava delas exatamente com esse direcionamento terapêutico. Ouvir Beatles me trazia ótimas lembranças de uma vida simples e com preocupações pequenas. Ouvir as bandas de thrash metal me fazia treinar loucamente na guitarra, e melhorar muito minha falta de técnica, fazia do meu ouvido cada vez mais preciso. Ouvir Foo Fighters e RHCP me causava uma esperança enorme de ser rockstar um dia, ao cantar todas as letras com o rigor de quem leu o encarte cinquenta mil vezes (mesmo que a afinação não fosse tão perfeita assim).
Pois bem, agora sou uma pessoa que simplesmente liga o rádio na Kiss e ouve, sei lá, ZZ Top e acha "legal". Toca Iron Maiden e acha "bacana". WTF has happened to me?!

- Deixei de ler meus livros favoritos de famigerada autoajuda. Louise Hay, da qual fui leitora fervorosa por tanto tempo, e cujos escritos me inspiraram tanto e me fizeram ter resultados esplêndidos. Não é nem por causa do preconceito (completamente compreensível!) contra esse gênero. Até mesmo porque eu também detesto 98% dessa suposta literatura repleta de títulos chamativos e conteúdos ínfimos. O motivo da minha mudança é bem pior: a falta de disciplina e o excesso de preguiça, displiscência e negligência. Todos sabemos o quão difícil é mudar nossos padrões mentais, nossa filosofia intrínseca -- chame do que quiser. Acomodação, rigidez e outras pedras que estão no caminho tornam-se, por vezes, impedimentos e desculpas para não seguirmos adiante em nossa nova empreitada. No meu caso, consegui ter e ver na prática os resultados do tal do pensamento positivo, durante bastante tempo. Acabei abandonando tudo, e não sei onde nem quando perdi o fio da meada. Só sei que agora quero encontrá-lo o quanto antes.

- Esta mudança está ligada com a acima, mas implica em outras coisas. Deixei de ser otimista para ser a mais ranzinza das pessimistas fatalistas raivosas. As pessoas não aguentam mais, e eu mesma também não me aguento mais. As pessoas estão certas, é insuportável estar perto de um reclamão. Creio que, quando tiver novamente disciplina para me alinhar com coisas mais positivas e doutrinar melhor minha mente, esta mudança medonha terá desaparecido da minha vida.

- Deixei de ser uma mão de vaca irremediável. Esta deve ser a única mudança positiva ocorrida. Ok, houve uma longa época dificílima, financeiramente falando, na minha vida, portanto, não tive escolha quanto a esse comportamento. Mas prolonguei esse conceito por mais tempo do que precisava, e fui muito avarenta. Não sei se, quando mudei meu comportamento, minhas finanças melhoraram, ou se as finanças melhoraram e então eu melhorei. Mas hoje, ao menos, não julgo mais as pessoas que gastam certa quantia de dinheiro com algo que não considero essencial.

Quero fazer uma parte dois, dessa vez com coisa boa. Quem sabe.

Phoebe Buffay wannabe

Tô afins de sair do país e ficar tocando violão na rua juntando uns trocados e com subempregos por aí, quem sabe daqui a algum tempo até fazendo atendimentos astrológicos... E deixar de viver a tal da vida medíocre que quase todos vivemos. Sim, eu sei que não precisa de tudo isso para não ser superficial, mas acho que ainda não aprendi a mudar as coisas de maneira não radical.


Who?

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São Paulo, São Paulo, Brazil
Desesperada e entusiasmada. Resmungona e sorridente. Divirto-me com pouco.

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