Eu era criança, ainda; tinha provavelmente nove anos, no auge das minhas inseguranças misturadas com vontade de viver alegremente, aproveitando cada momento (pena que os momentos não eram assim tão bons). E estava com três outras crianças muito queridas, dois meninos e uma menina, em frente à casa da minha vó, brincando em volta de uma árvore. A árvore tinha um tronco grosso e copa muito cheia, com rosas cor-de-rosa imensas, brilhantes. O vento estava forte, mas agradável, com temperatura perfeita. Ríamos muito, enquanto as rosas se desprendiam dos ramos e voavam em nossa direção, deixando rastros de um perfume delicioso.
Um moço apareceu no portão, acompanhado de um porquinho médio, preto e branco, muito fofo, e parecia estar sendo muito bem tratado. Até que o cara disse que, como era natal, o porquinho seria parte da ceia. No mesmo instante em que o porquinho ouviu isso, olhou diretamente para mim, nos meus olhos, e pediu para eu não permitir que isso acontecesse. O desespero dele era tão grande, e ele já podia pressentir a dor e o sofrimento que estavam por vir. E eu também senti tudo isso; senti tudo junto com ele, em uma união telepática inexplicável para quem prefere não enxergar as coisas. Enquanto o porquinho era levado para os fundos para ser "sacrificado", olhando para trás e me pedindo com os olhos, eu me desesperei e comecei a chorar copiosamente. O sentimento era tão forte. Como é doloroso viver em um mundo onde se mata bichinho. Será que eu posso me mudar para um outro mundo? Será que isso vai durar para sempre? Quantos animais estão morrendo repletos de sofrimento neste exato momento?
Acordei chorando muito. Solucei tanto que meus pulmões doeram. Mas eu, garota abençoada que sou, estava passando a madrugada do natal ao lado do Maioral, o cara mais lindo que há. Ele me acolheu e acalmou, me trouxe um copo d'água e ficou bem perto até eu dormir de novo. Ele me entendeu de verdade, ele também, como eu, parou de comer carne em um natal, assustado com o fato de pessoas comemorarem o nascimento do barbudo doidão exibindo animais mortos inteiros na mesa de jantar.
Esse sonho de natal foi doloroso e, ainda assim, muito mais bonito que a realidade.
Que venha o sonho de reveillón.
A importância de ir cada vez mais fundo: Não é o que leio que me é importante, mas sim o quão profundamente qualquer assunto é abordado. Por isso eu analiso praticamente tudo que me é apresentado -- claro que há um filtro mínimo; muita coisa não merece mais do que a indiferença, e certamente me torno bastante irritante por isso. Sempre achei isso muito bom e admirável nas pessoas, desde que o senso crítico não se torne uma sucessão eterna de reclamações infundamentadas e acomodadas.
O senso crítico é importantíssimo para sobreviver a este mundo. O fato de eu não engolir tudo o que tentam me empurrar garganta abaixo pode até me tornar um tantinho insuportável, mas também mais livre do que os que não me suportam por isso.
Ser livre não é fácil, não. É necessária muita disciplina, frequência e força.
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Durante uma sofrível palestra do instituto de Gnosis, escrevi este texto. Era tão sofrível, tão dolorosa, que isto foi a flor de lótus mais perfeita que saiu daquele pântano. Desculpem a inconsistência.
Por que a Era de Aquário não tem e provavelmente não terá um homem para marcar fortemente seu início?
Justamente porque esta é a Era do coletivo. Não é um homem que tem a importância centralizada por temas específicos (no caso de Jesus, a espiritualidade e martirização); o grupo toma a importância e só o grupo pode modificar algo. Somente atitudes conjuntas irão ter efeito nesta transição, e daqui em diante.
Esta é a Era em que os poderosos são obrigados a descer do pedestal.
Duas abordagens contrárias e específicas para explicar os fatos da vida:
Alguém que vive em postura de coautor da própria existência e também do ambiente que o rodeia tem uma noção de responsabilidade bem amadurecida. No caso de algo ruim acontecer, ela provavelmente passará por momentos de introspecção, para entender o porquê de o evento ter acontecido, para analisar a frequência em que ela estava para atrair tal coisa. Já uma pessoa que crê no acaso e na fatalidade (alegando ou não acreditar em Deus; disto falarei adiante) enxerga os fatos de outra forma. Se tropeçou e torceu o tornozelo, é porque a casca de banana estava lá atrapalhando, aquela maldita casca de banana. O máximo de objeção e reflexão a que ela pode chegar está nos limites de discursos como "como pode ainda haver gente que joga casca de banana no chão [meu Deus]?". Claro que isso é metafórico.
Veem a diferença? Uma vai para dentro, a outra para fora.
Uma pessoa espiritualizada tende a perceber a própria responsabilidade. Ela não só crê, como estuda e vivencia as energias e como elas mesmas as mudam. As que estão sempre voltadas para fora, sejam as direcionadas pela religião (olha o eufemismo aí, geeente!) ou as ateias mesmo, por poderem ter uma visão materialista, podem acabar criando a maior das superstições: a crença nos acasos.
Até onde a crença limita nossa responsabilidade?
Até onde o materialismo limita nossa liberdade?
Os astrólogos, que sabem prever com bastante precisão os eventos, provavelmente recebem pessoas reagindo maravilhosamente bem a um trânsito de Netuno, por exemplo, mesmo sabendo que muitas coisas nebulosas e depressivas podem acontecem quando ele entra em contato com o Sol ou outros planetas na carta natal.
As limitações de livre arbítrio não anulam o senso de responsabilidade possível a todos que estão conscientes da cocriação, muito pelo contrário: abre a mente para nos prepararmos e refletirmos sobre o que está prestes a acontecer e nossa utilização dessas energias.
Uma coisa que considero importante é, mesmo com responsabilidade e maturidade, saber que ainda assim somos coautores, e saber agradecer a tudo que acontece, seja bom, seja ruim. Aquela coisa Seicho no Ie maravilhosa de ter o sentimento de gratidão constante.
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Não consegui elaborar tão bem em palavras o que está bastante claro na minha mente.
E ufa, sem comodismos, porque esses insights eu tive de maneira reformulada e mais intensa após ter passado por situações não tão agradáveis.
Preciso rasgar e jogar fora. Decepcionei-me e fui decepcionante. As magias todas foram embora; eu mesma fui embora. A força foi confinada, e me entreguei a uma neblina brilhante da qual não sei me libertar. Achava que no caminho havia várias pedras, mas não; na verdade há um círculo, e as pedras que encontro são sempre as mesmas. Poucas, mas certeiras. Encontro também arbustos floridos, lindas folhas secas e sinto brisas mornas deliciosas, compilando todas as estações em um momento. Serão essas alegrias sempre as mesmas? I'm wondering. Total desajuste, total instabilidade, total oscilação, total inconsciência. Quanto mais anseios por controle, mais tombos. Tentar modificar superficialmente agrava quaisquer sintomas. O que é superficialidade na abordagem da existência? E os outros caminhos?
Let's wonder.
Acordei às 2:59, agitada e assustada. Quando voltei a dormir...
Eu estava num hospital cheio de crianças e bebês doentes, tendo atitudes estranhas. Descobrimos que elas estavam possuídas por forças malignas, e uma das enfermeiras me disse que precisaríamos enviar muita luz e aumentar nossa vibração para que isso passasse, pois havia se tornado algo frequente.
Apareci deitada em uma cama bem macia do hospital, e me preparava para dormir, quando ouvi uma voz feminina dizendo: "o conceito de Erê que vocês ocidentais têm é totalmente deturpado. O Erê é uma espécie de demônio que tenta o tempo todo seduzir garotas, em especial garotas branquinhas", e então eu comecei a me debater, enquanto um objeto com um simbolo que misturava uma cruz com uma foice se movimentava e me perfurava os ombros.
Isso tudo sumiu e convidei minha mãe e irmã para irmos no show do Rolling Stones, pois era o terceiro e último dia da turnê aqui, então o ingresso estava barato (R$ 40,00) e o lugar estaria vazio. O Rafa se prontificou a ir conosco, mas eu não havia comprado o ingresso dele. Ele disse que não fazia mal; esperava a gente do lado de fora mesmo. O show começou com Wild Horses, que eu adoro, e antes da segunda música, Mick falou algumas coisas em português super fluente, e começou a cantar What's Going On? do Marvin Gaye. Na segunda estrofe, ele começou a passar o microfone de pessoa em pessoa da segunda fileira (onde eu estava), e quando o microfone chegou na minha mão, cantei "Don't punish me with brutality; talk to me, so you can see what's going on", mas o microfone tinha parado de funcionar. Mick subiu de volta no palco, tentou arrumá-lo (o microfone, ambiguidade filhadamãe), mexeu nos amplificadores de retorno, falou com o Ronnie Wood. Tudo sem sucesso. E o show acabou! Ah, quanta frustração. Quarenta pila por uma música e meia, for Christ's sake! Mas quando saímos, o Rafa estava lá me esperando. :)
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E meu colega: "coitado do Mandela, a bisneta dele morreu, justo ele que lutou tanto pelo país". Eu: "mas todos morrem". Ele: "mas era importante para ele". Eu: "mas todos são importantes, e todos morrem". Ele: "ah, você entendeu o que eu quis dizer". Eu detesto essa desculpinha esfarrapada: "ah, você entendeu". Se alguém não entendeu ou você falou algo de que alguém discorda, por que ter essa atitude defensiva tola? Cara, eu adoro quando todos discordam de mim, porque me faz pensar. Esse tipo de diálogo faz (ou melhor, deveria fazer) as pessoas se tornarem mais flexíveis e tolerantes com as diferenças. Eu falaria também sobre os erros do tipo "pra mim ler", que são remediados com o mesmo ...er, argumento, só que aí entra o tal do preconceito linguístico, do qual estou tentando me curar.
Outra coisa que eu acho bestinha: "gosto não se discute". Hã? Beg your pardon? Gosto é sim para ser discutido, dividido, pelo menos entre pessoas que saibam fazê-lo. É, talvez seja esse o problema.
Preciso de métodos para tudo. Se forem preestabelecidos, melhor ainda.
Não sei terminar coisas.
Eu amo obedecer. As minhas coisas eu começo e só termino. As dos outros, eu termino. Quando me mandam, é óbvio.
Tentei tanto terminar várias das minhas coisas, mas sabe, algo sempre acontece para me impedir. Ou será que eu é que aconteço as coisas para me impedir? Como se eu não soubesse a resposta.
Só me faço um monte de pergunta boba, cujas respostas eu já sei há muito, mas simplesmente não consigo responder.
Estou andando por uma estrada, e então ela muda de rumo e eu nem percebi. Nem quando cheguei lá. Não, eu sou tão espertinha que só percebo muito depois.
Cadê?
Cadê?
Aprendendo algum valor da solidão. (?)
A vida era tão boa quando eu não tinha um passado. Quando minhas regras eram as minhas regras.
Não discuto política há uns cinco anos.
Política fazia uma parte importante dos meus pensamentos até o final da adolescência. Nasci em showmícios do PT (meu pai era músico e tocava neles). Durante um deles, a favor das diretas já, em 1989, no auge do meu primeiro ano de vida, ganhei um beijinho na bochecha do Lula. Não é bizarro pensar nisso? É, na época que ele era barbudão de verdade. E aos meus dois anos, papai e mamãe me ensinaram a dizer "Collor ladrão". E depois "Maluf ladrão", e tudo o mais. No começo da adolescência, comecei a pesquisar mais e me aprofundar (bem menos do que poderia) no assunto, e fui me esquerdando cada vez mais. Mas depois que aprendi mais sobre espiritualidade e psicologia (bem menos do que poderia), mudei muito minhas convicções, que eram bem rígidas, e continuo mudando. Não, não sou de direita, e nesta altura do campeonato nem sei se esses lados existem de verdade. Não quero mais polarizar dessa forma. Considero-me anarquista, porque é o ideal de liberdade em que acredito. Algo sem a vitimização e sem a agressividade presentes nos "lados".
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Estou ficando cada vez mais louca, mas minha intuição nunca esteve tão livre.
Eu quero parar de odiar qualquer coisa que seja. Para ter mais motivos para agradecer, precisamos estar dispostos a agradecer tudo. Eu tenho a mania de ficar julgando todas as pessoas, governos e instituições capitalistas grandes pelo que há de pior, e pela suposta falta de integridade de tudo e todos. E poxa, que que eu tenho a ver com isso? Tudo! Por isso mesmo seria estúpido apenas julgar e criticar tudo o que está à minha volta.
Sabe aquele discursinho superficial de "podemos mudar o mundo, se nos unirmos, se não aceitarmos tudo do goveeeeerno", e blablablá? Ele é verdadeiro, mas só se mudarmos por dentro, nos pensamentos e sentimentos, inclusive em relação ao que odiamos. Atitude de verdade é isso, é mudar, e não exigir revoltadtinho, com ou sem causa.
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Algumas dúvidas estão me cutucando, e permiti que elas escalassem até o topo da montanha imensa das coisas que remoo. E aí surgiu mais uma dúvida: acabo com com essa dúvida agora, ou deixo para a hora exata? Dúvida, pelo jeito, é prima distante da mentira: você cria mais um monte para alimentar a primeira.
Consegui me divertir bastante no final de semana, depois de tantos dias de privação total.
Fui à mostra do projeto Maitréia, no Centro Cultural Hiroshima (saiba mais sobre o projeto). Foi uma baita experiência maravilhosa, que me mostrou sutilmente como tenho estado desconectada, de várias formas. Minhas introspecções deixaram de ser contemplativas, e minhas solidões deixaram de ser meditativas. Well, sempre é hora de mudar. E acho que estou chegando perto.
Depois de tantos questionamentos sobre emoção e razão, li ótimos artigos (alguns no Astrodestino, um dos meus blogs de astrologia favoritos),que iluminaram minha mente, e tive experiências que me libertaram de muitas formas. Assisti filmes, li trechos de livros. Uns totalmente emocionais, uns totalmente racionais, mas a maioria fazendo um lindo diálogo entre essas duas expressões da razão humana de yin e yang. Chorei de emoção sem me culpar e elaborei rápidas e complexas teorias sobre verdades da existência. Fui romântica e resolvi problemas difíceis com ideias objetivas. Ainda estou aprendendo a calar a boca, mas estou longe da matraca violenta que já me possuiu.
Ao menos não sou mais a mesma.
Eu me obriguei inconscientemente a viver de maneira totalmente subjetiva, nesta lua minguante. Peguei uma baita gripe e ficarei off até dia 7. É a terceira gripe das boas que pego em dois meses.
Senti-me desconfortável durante alguns dias, sob vários aspectos. É sempre uma lição; sempre. Esta foi bem dolorosa, e me cutucou nas feridas ainda não cicatrizadas, que eu nem sabia que ainda tinha. Talvez por eu tê-las criado há pouco tempo, em tempos de esquecimento e indiferença negativa.
As sombras do meu interior me encararam e ainda estão me encarando, com raiva, mágoa e rancor. Mas estou escutando todas, com aceitação. A aceitação que me faltou nos últimos tempos, para com todas as situações, adversas ou não -- tornei-as todas adversas, por teimosia.
Desaprendi um monte de coisa, mas pelo menos desta vez não vou culpar ninguém por isso. Estou aprendendo que todos que eu acabo culpando por algo são os que mais me estão ensinando, e a menina mimadinha chorona é que fica esperneando ao invés de entender. Desaprendi inclusive a escrita mínima que eu tinha antes. Paciência; aprendo novamente, rápido rápido.
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Tive alucinações oníricas durante os dodóis sonos de gripe. A maioria foi bem assutadora, mas teve uma parte bem terapêutica numa delas: voltei a um lugar da infância, o clube Corinthians (eu frequentava quando tinha 6 anos e era ainda corinthiana; assistia os treinos e gritava CASAGRANDE, CASAGRANDE, e tinha posteres e uma camiseta de quando a Kalunga ainda era a patrocinadora do Timão. Lembram das chuteiras coloridas do Viola? I do...). Eu estava na fila do tobogã, e lá estavam também o Brad Pitt e a Angelina Jolie, brigando. Brad Pitt vira para mim e diz que não a aguenta mais, e olhando bem no fundo dos meus olhos, diz que se apaixonou por mim e quer viver comigo. Hahahahaha!... Coisa mais absurda, gente. Nunca o achei bonito; porque me aparece em sonho assim? Me senti muito poderosa e com a autoestima alta, ainda mais porque no sonho eu ainda era criança. Estranho, porque meus ídolos de verdade sempre foram considerados feiosos. Ringo Starr, Dave Grohl (tá, ele não).
Well, acordei com o telefone tocando e era o baterista mais bonito do mundo. :)
-- Você estava dormindo?
-- UHUMNNNNNNNNMM...
-- Ah, vai lá dormir então... Depois a gente se fala...
-- Tu tu tu tu tu tu
O último parágrafo foi mais que verdadeiro.
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Vocês conhecem Belchior? Já ouviram a música cujo trecho usei no título do post? Recomendo que escutem o álbum inteiro; é maravilhoso.
Percebi, mais uma vez. Putz, não vai acabar nunca? Eu sempre vou ter coisas a aprender, mas quero aprender de verdade, não ter de repetir de ano tantas vezes. E eu estou aceitando bem, isso, até. Believe me. :-)
"Tem que participar". Lembra?
Eu li aqui algo parecido também. Estar presente. É, eu sei, todos eles falam. Hindus, Budistas, o Osho. Mas só entra na cabeça-dura na hora que tem que entrar, porque -- disse a Cris e tantos outros, e it is so fucking true -- nada acontece por acaso, né.
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É, a alegria da criação e da energia yang em minha existência estiveram escoando desesperadamente. Uns novos propósitos entraram na minha mente de novo, e quem sabe isso me entusiasme novamente para viver, para viver para mim e para o mundo, e não mais só sobreviver.
It's too late. É sempre cedo demais, e está sempre muito tarde.
Hoje tive uma das experiências estéticas mais importantes da minha vida. Não sei se ela em si foi a melhor, mas foi a mais adequada ao momento, completou coisas que eu nem sabia que indagava vagamente na minha mente, a mais sincrônica.
Conheci o músico Marcelo Coelho, numa oficina sobre a influência de Tide Hellmeister nas composições que estão no CD Colagens, que adquiri lá mesmo e me fez entender um pouquinho o jazz. Me senti muito surda por nunca ter ouvido nada desse estilo, mas após a explanação técnica teórica profunda rítmica minha mente se escancarou, após tanto tempo trancada. E a exposição, que é do Tide com participação de um vídeo com trilha musical do Marcelo e um texto maravilhoso que ele escreveu, foi uma das mais lindas que já visitei. A curadoria foi muito cuidadosa e criativa, nesse ótimo conceito de fazer do museu uma casa acolhedora, como se estivéssemos sendo recebidos pelo próprio artista em seu lar doce lar. Era isso que eles queriam, e conseguiram isso e muito mais. Todos se deliciam, os visuais, os auditivos e os cinestésicos. Eu me encantei.
Trecho do texto do músico:
"(...) O Tide me disse, sem falar, que o homem é um Grande Criador, capaz de criar a própria realidade e de experienciá-la plenamente... (...) Estou certo de que O Grande Criador do universo deve ter regozijado ao observar a sua criatura brincando de viver a vida que escolheu, brincando de ser livre no mundo dos homens, escolhendo a cor de seu cada dia (...)"
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Espiritualidade, astrologia, programação neurolinguística, música, arquitetura, design de interiores, artes plásticas, psicologia, mitologia, literatura, filosofia, ufologia, artesanato... Procuro equilibrar essas coisas que estudo e pelas quais me interesso, e sou muito feliz por ir em várias direções e buscar conhecimento em coisas tão diversas, que se analisadas profundamente, se interligam sempre em mim, eu sempre amplio minha visão dessa forma.
Tenho pensado bastante em como as pessoas às vezes se limitam a apenas duas ou três formas de enxergar a vida. Aí as vejo tendo problemas pessoais profundos, mesmo sendo cultas, acadêmicas... Ou pessoas sensíveis e visionárias, que não conseguem ler ou escrever coisa muito mais profunda do que um romance espírita best seller. Respeito todas, mas a totalidade é algo que quero muito para mim, mesmo sabendo que estou longe de alcançá-la. E aí também questiono o que é realmente importante nas pessoas, e meus critérios naturais para escolher e admirar alguém, e há um bom tempo tenho achado que é o caráter, a bondade intrínseca. Acho que é isso mesmo, apesar de todo meu pedantismo e exigência diante dos meus convívios.
Empaquei num trecho de Sem Olhos Em Gaza do Huxley, tamanha identificação que senti. Só conseguia ler e reler a mesma coisa, sabendo que aquilo era uma parte de mim que eu quero tanto arrancar. Tanto, tanto.
"Depois, quando Brian já se tinha ido, sentiu-se envergonhado de sua ignóbil grosseria — humilhado, ao mesmo tempo, pela irreflexão e o automatismo com que se servira de tal linguagem. Automatismo semelhante ao dessas rãs super-nervosas que se contraem e vibram quando se lhes aplica à pele uma gota de ácido. Puro reflexo."
É uma verdadeira humilhação constatar, poucos segundos depois, o automatismo agressivo. Me sinto ignóbil, sem valor, pequena pequena. Ainda faço muito isso, mas quero mudar; estou disposta a mudar. Estou mudando. :-)
Googlem aqui neste site, de hoje em diante. Ajudemos a plantar mais arvorezinhas!
Meu primeiro trabalho foi de Soldado Temporário na Polícia Militar de São Paulo.
Depois descobri que um bisavô paterno meu trabalhou onde eu trabalhei, no QG (mas ele era Coronel), quando a corporação ainda se chamava Força Pública.
Toco guitarra desde os 14 anos.
Meu pai era um exímio guitarrista, tocava na banda Dejavu, a de pop rock, daquela música Jogar as Chaves. E o tal do meu bisavô Coronel tocava banjo. E meu tio e minha mãe também sempre tocaram guitarra e violão, respectivamente.
Faço crochê desde os 11 anos.
Minha tia (que tem um lindo blog sobre essa arte) é uma arteira e tanto. Descobri há poucos meses.
Me formei em Design de Interiores em 2008 e agora, em 2010, minha prima vai começar a fazer também. Descobri semana passada.
Quando comecei a escrever, juro que ia parecer uma coisa doida e muito legal. Mas quando soube dessas coisas, fiquei com aqueles pensamentos de "oh, meu Deus, como o mundo é pequeno e como há aparentes coincidências!".
***
Venho a pé para o serviço todos os dias, para canalizar minha energia sagitariana exuberante e destruidora. Nos últimos dias, um moço esquisito perto da banca de jornal me deu um bom dia macabro, assustador, com um sorriso imenso igual ao do velho do Poltergheist II.
Acho que é porque I pushed myself to the limit nos últimos dias, no quesito até onde posso aguentar com coisas mórbidas e arrepiantes. Pois é, não muito. E aí meu namorado me convida para assistir a primeira versão de Massacre da Serra Elétrica com ele, e eu falo que não; prefiro jogar rouba monte.
É tão bonito ver uma pessoa admitir um grande erro, quando conseguimos tomar um pouco para si o exemplo. E eu fui agraciada com esse sentimento, ontem, numa reunião muito especial. É preciso bastante percepção para ir captando esses tipos de dicas que a vida nos dá o tempo todo, e só conseguimos essa almejada intuição quando não estamos usando nosso tempo para reclamar de tudo, deturpando tudo. No, it ain't easy. Nobody said it was easy. Até Lennon disse, num belo desabafo:
You gotta run
You gotta hide
You gotta keep your woman man satisfied
But it's so hard, it's really hard
Sometimes I feel like going down
Ontem e hoje fiz representação da Inter. Fui a escritórios de arquitetura e falei, falei, falei. Até que sei falar um pouquinho.
Hoje, quando estava voltando de uma das reuniões, vendo o mapa para não me perder, um moço com a orelha sangrando e olhar fixo e forte que estava andando em minha direção chegou bem perto de mim, fitou meu mapa, meus olhos bem lá dentro, e falou, com um sorriso perturbador: "BOM DIA". Assim, mesmo. Adoro coisas inusitadas, mas fiquei assustada e com vontade de fazer alguma coisa por ele, mas o medo me impediu.
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Assisti Menina de Ouro, depois de tanto ouvir falar sobre esse filme. Tem algo em mim que ama dramas, mas esse é pesado demais, até para mim! É tão triste e denso que não dá nem para chorar. Outro que me deu essa sensação foi o Vinhas da Ira.
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Renascendo, aprendendo. Isso é algo que é bom fazer sempre. Tenho feito!
Turning and facing the strange. :-)
Me viciei no Sebo Mundi, perto da Candelária, na Vila Maria. Tem muitos bons livros, revistas, cds e vinis. E o grande diferencial: praticamente sem poeira! Isso é o que mais me incomoda em sebos e até nas lojas que vendem vinil na Galeria do Rock: sempre saí com um vinilzão lindo do Lennon, Bowie ou Ozzy, mas com as mãos pretas e grudentas.
Comprei duas revistas Planeta dos anos 80, ótimas, contendo reportagens com temas como clarividência na infância, energia etérica das plantas e foto Kirlian, astrologia natal. Mal posso esperar para devorar tudo! Um livro do Paul Klee também foi para minha humilde estantezinha de arte. E hoje peguei um cd da coleção da Folha de música clássica, do Wagner. Curiosidade e arquivismo culturais e históricos.
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Sabia que quando você dá um bom conselho para alguém, você só está dizendo o que você mesmo precisava ouvir?
Por um tempinho esqueci de sentir uma das coisas mais importantes para mim: entusiasmo. Antes tarde do que nunca? :-)
Em Merry Christmas, John Lennon diz "I hope you have fun". Acho lindo desejar, ao invés de saúde e amor, diversão. Osho diz que pessoas que riem, cantam e brincam não são facilmente manipuladas, é claro, pois elas são felizes. É muito fácil comandar o povo com medo, está aí todo o "sistema", o qual não vou mais culpar por nada, pois minha essência é risonha, cantora e brincalhona. Assistir Tiros em Columbine (Bowling for Columbine), do Michael Moore, mostra bem isso, com bem menos pessimismo que um materialista poderia usar, e com referências culturais que me causam boas emoções.
[Falando em emoções, qual a importância delas? Temos um corpo emocional, a frequência seguinte mais alta do corpo etérico, portanto, acho que elas devem ser muito bem trabalhadas e equilibradas, mas nunca negadas ou reprimidas. Tá, alguém com lua e ascendente em câncer em conjunção tem uma relação mais íntima com elas. Mas e aí?]
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Lendo por aí pude me conhecer melhor; tinha esquecido disso, tentando "só" entender o mundo. E aí li por aí também para me lembrar do caminho do meio.
Eu estou mesmo entrando em uma época de muitas provações, dilemas e conflitos na área filosófico religiosa da minha vida. Aí cheguei a uma conclusão não tão conclusiva assim que é bem simplista, e talvez já tenha escrito aqui há pouco tempo: opte sempre pelo positivo, pelo que liberta, pelo que faz sorrir e agradecer. Essa é a verdadeira informação, esse é o verdadeiro conhecimento. A verdadeira razão cósmica. Se te faz sentir medo, apreensão ou te aprisiona, não serve para você. Aí estou colocando em prática, e sarando dos dodóis todos.
Aí me lembro da época em que os astros só me diziam coisas boas, e se fossem ruins, era tudo mentira. E era mesmo. Aí lendo por aí coisas condizentes com meu novo critério de seleção, estou fazendo de tudo o que é ruim uma mentira. E é mesmo.

