Where am I? WHO am I?
Depois de ensaiar por meio ano escrever algum post aqui, digito apressadamente um post de impulso, sem programações, sem revisões, sem nada.
Porque acho que estou no caminho errado. E olha que muita coisa tá certa.
Deixei coisas e pessoas pra trás que não deveriam ter sido tratadas dessa forma, como descartáveis. Acho que elas ainda deveriam estar aqui, comigo. Se eu as tivesse perdido, a conformação já estaria instaurada, mas não. Abandonei. Putz, como isso dói... Em horas específicas. Aí a dor fica condensadinha. Legal usar diminutivo em coisas nada leves; pura ironia criativa.
E aí tô aqui, fazendo um exercício de fazer coisas de uma forma bem banal, simplesmente escrevendo alguma coisa nada positiva sobre meu momento atual. Mas anyway, espero que me faça bem, e desculpe bombardear quem quer que leia este meu coiso com tudo isso.
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Aproveitarei para contar que neste hiato saí do meu último emprego, tentei um negocinho com MUITO otimismo (e até ingenuidade) que não deu certo (Oficina da Debora), comecei um trampo novo que fica longe da minha casa mas estou gostando, voltei a tocar com o KatzenMuzik, com um amigo queridíssimo, íssimo mesmo, nos vocais mas a fase já acabou e agora não sei quando tocarei uma guitarra com outras pessoas novamente, comecei a estudar administração (boa pergunta! também não sei porquê!) e obviamente não aguentei nem um semestre -- puta coisa écot isso de adeêmi --, e o principal: estou, desde fevereiro, estudando astrologia na Gaia Escola de Astrologia com meu namorado, que inclusive é um brilhante aluno e colega. A experiência está sendo mega gratificante. Agora tenho essa nova meta: ser astróloga. Tô colocando uma meta de uns 4 ou 5 anos para começar a atender, até lá quero fazer algumas especializações, talvez nem todas relacionadas tão diretamente à própria Astrologia. Mas o mais importante é saber tudo o que quero saber, porque ainda não tenho certeza de que serei uma boa astróloga, e isso é algo em que deve-se ser realmente bom pra exercer.
É, that's it. É pra isso que serve também um diariozinho virtual, né. Pra despejar umas coisitas.
Eu era criança, ainda; tinha provavelmente nove anos, no auge das minhas inseguranças misturadas com vontade de viver alegremente, aproveitando cada momento (pena que os momentos não eram assim tão bons). E estava com três outras crianças muito queridas, dois meninos e uma menina, em frente à casa da minha vó, brincando em volta de uma árvore. A árvore tinha um tronco grosso e copa muito cheia, com rosas cor-de-rosa imensas, brilhantes. O vento estava forte, mas agradável, com temperatura perfeita. Ríamos muito, enquanto as rosas se desprendiam dos ramos e voavam em nossa direção, deixando rastros de um perfume delicioso.
Um moço apareceu no portão, acompanhado de um porquinho médio, preto e branco, muito fofo, e parecia estar sendo muito bem tratado. Até que o cara disse que, como era natal, o porquinho seria parte da ceia. No mesmo instante em que o porquinho ouviu isso, olhou diretamente para mim, nos meus olhos, e pediu para eu não permitir que isso acontecesse. O desespero dele era tão grande, e ele já podia pressentir a dor e o sofrimento que estavam por vir. E eu também senti tudo isso; senti tudo junto com ele, em uma união telepática inexplicável para quem prefere não enxergar as coisas. Enquanto o porquinho era levado para os fundos para ser "sacrificado", olhando para trás e me pedindo com os olhos, eu me desesperei e comecei a chorar copiosamente. O sentimento era tão forte. Como é doloroso viver em um mundo onde se mata bichinho. Será que eu posso me mudar para um outro mundo? Será que isso vai durar para sempre? Quantos animais estão morrendo repletos de sofrimento neste exato momento?
Acordei chorando muito. Solucei tanto que meus pulmões doeram. Mas eu, garota abençoada que sou, estava passando a madrugada do natal ao lado do Maioral, o cara mais lindo que há. Ele me acolheu e acalmou, me trouxe um copo d'água e ficou bem perto até eu dormir de novo. Ele me entendeu de verdade, ele também, como eu, parou de comer carne em um natal, assustado com o fato de pessoas comemorarem o nascimento do barbudo doidão exibindo animais mortos inteiros na mesa de jantar.
Esse sonho de natal foi doloroso e, ainda assim, muito mais bonito que a realidade.
Que venha o sonho de reveillón.
A importância de ir cada vez mais fundo: Não é o que leio que me é importante, mas sim o quão profundamente qualquer assunto é abordado. Por isso eu analiso praticamente tudo que me é apresentado -- claro que há um filtro mínimo; muita coisa não merece mais do que a indiferença, e certamente me torno bastante irritante por isso. Sempre achei isso muito bom e admirável nas pessoas, desde que o senso crítico não se torne uma sucessão eterna de reclamações infundamentadas e acomodadas.
O senso crítico é importantíssimo para sobreviver a este mundo. O fato de eu não engolir tudo o que tentam me empurrar garganta abaixo pode até me tornar um tantinho insuportável, mas também mais livre do que os que não me suportam por isso.
Ser livre não é fácil, não. É necessária muita disciplina, frequência e força.
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Durante uma sofrível palestra do instituto de Gnosis, escrevi este texto. Era tão sofrível, tão dolorosa, que isto foi a flor de lótus mais perfeita que saiu daquele pântano. Desculpem a inconsistência.
Por que a Era de Aquário não tem e provavelmente não terá um homem para marcar fortemente seu início?
Justamente porque esta é a Era do coletivo. Não é um homem que tem a importância centralizada por temas específicos (no caso de Jesus, a espiritualidade e martirização); o grupo toma a importância e só o grupo pode modificar algo. Somente atitudes conjuntas irão ter efeito nesta transição, e daqui em diante.
Esta é a Era em que os poderosos são obrigados a descer do pedestal.
Duas abordagens contrárias e específicas para explicar os fatos da vida:
Alguém que vive em postura de coautor da própria existência e também do ambiente que o rodeia tem uma noção de responsabilidade bem amadurecida. No caso de algo ruim acontecer, ela provavelmente passará por momentos de introspecção, para entender o porquê de o evento ter acontecido, para analisar a frequência em que ela estava para atrair tal coisa. Já uma pessoa que crê no acaso e na fatalidade (alegando ou não acreditar em Deus; disto falarei adiante) enxerga os fatos de outra forma. Se tropeçou e torceu o tornozelo, é porque a casca de banana estava lá atrapalhando, aquela maldita casca de banana. O máximo de objeção e reflexão a que ela pode chegar está nos limites de discursos como "como pode ainda haver gente que joga casca de banana no chão [meu Deus]?". Claro que isso é metafórico.
Veem a diferença? Uma vai para dentro, a outra para fora.
Uma pessoa espiritualizada tende a perceber a própria responsabilidade. Ela não só crê, como estuda e vivencia as energias e como elas mesmas as mudam. As que estão sempre voltadas para fora, sejam as direcionadas pela religião (olha o eufemismo aí, geeente!) ou as ateias mesmo, por poderem ter uma visão materialista, podem acabar criando a maior das superstições: a crença nos acasos.
Até onde a crença limita nossa responsabilidade?
Até onde o materialismo limita nossa liberdade?
Os astrólogos, que sabem prever com bastante precisão os eventos, provavelmente recebem pessoas reagindo maravilhosamente bem a um trânsito de Netuno, por exemplo, mesmo sabendo que muitas coisas nebulosas e depressivas podem acontecem quando ele entra em contato com o Sol ou outros planetas na carta natal.
As limitações de livre arbítrio não anulam o senso de responsabilidade possível a todos que estão conscientes da cocriação, muito pelo contrário: abre a mente para nos prepararmos e refletirmos sobre o que está prestes a acontecer e nossa utilização dessas energias.
Uma coisa que considero importante é, mesmo com responsabilidade e maturidade, saber que ainda assim somos coautores, e saber agradecer a tudo que acontece, seja bom, seja ruim. Aquela coisa Seicho no Ie maravilhosa de ter o sentimento de gratidão constante.
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Não consegui elaborar tão bem em palavras o que está bastante claro na minha mente.
E ufa, sem comodismos, porque esses insights eu tive de maneira reformulada e mais intensa após ter passado por situações não tão agradáveis.
Preciso rasgar e jogar fora. Decepcionei-me e fui decepcionante. As magias todas foram embora; eu mesma fui embora. A força foi confinada, e me entreguei a uma neblina brilhante da qual não sei me libertar. Achava que no caminho havia várias pedras, mas não; na verdade há um círculo, e as pedras que encontro são sempre as mesmas. Poucas, mas certeiras. Encontro também arbustos floridos, lindas folhas secas e sinto brisas mornas deliciosas, compilando todas as estações em um momento. Serão essas alegrias sempre as mesmas? I'm wondering. Total desajuste, total instabilidade, total oscilação, total inconsciência. Quanto mais anseios por controle, mais tombos. Tentar modificar superficialmente agrava quaisquer sintomas. O que é superficialidade na abordagem da existência? E os outros caminhos?
Let's wonder.
Acordei às 2:59, agitada e assustada. Quando voltei a dormir...
Eu estava num hospital cheio de crianças e bebês doentes, tendo atitudes estranhas. Descobrimos que elas estavam possuídas por forças malignas, e uma das enfermeiras me disse que precisaríamos enviar muita luz e aumentar nossa vibração para que isso passasse, pois havia se tornado algo frequente.
Apareci deitada em uma cama bem macia do hospital, e me preparava para dormir, quando ouvi uma voz feminina dizendo: "o conceito de Erê que vocês ocidentais têm é totalmente deturpado. O Erê é uma espécie de demônio que tenta o tempo todo seduzir garotas, em especial garotas branquinhas", e então eu comecei a me debater, enquanto um objeto com um simbolo que misturava uma cruz com uma foice se movimentava e me perfurava os ombros.
Isso tudo sumiu e convidei minha mãe e irmã para irmos no show do Rolling Stones, pois era o terceiro e último dia da turnê aqui, então o ingresso estava barato (R$ 40,00) e o lugar estaria vazio. O Rafa se prontificou a ir conosco, mas eu não havia comprado o ingresso dele. Ele disse que não fazia mal; esperava a gente do lado de fora mesmo. O show começou com Wild Horses, que eu adoro, e antes da segunda música, Mick falou algumas coisas em português super fluente, e começou a cantar What's Going On? do Marvin Gaye. Na segunda estrofe, ele começou a passar o microfone de pessoa em pessoa da segunda fileira (onde eu estava), e quando o microfone chegou na minha mão, cantei "Don't punish me with brutality; talk to me, so you can see what's going on", mas o microfone tinha parado de funcionar. Mick subiu de volta no palco, tentou arrumá-lo (o microfone, ambiguidade filhadamãe), mexeu nos amplificadores de retorno, falou com o Ronnie Wood. Tudo sem sucesso. E o show acabou! Ah, quanta frustração. Quarenta pila por uma música e meia, for Christ's sake! Mas quando saímos, o Rafa estava lá me esperando. :)
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E meu colega: "coitado do Mandela, a bisneta dele morreu, justo ele que lutou tanto pelo país". Eu: "mas todos morrem". Ele: "mas era importante para ele". Eu: "mas todos são importantes, e todos morrem". Ele: "ah, você entendeu o que eu quis dizer". Eu detesto essa desculpinha esfarrapada: "ah, você entendeu". Se alguém não entendeu ou você falou algo de que alguém discorda, por que ter essa atitude defensiva tola? Cara, eu adoro quando todos discordam de mim, porque me faz pensar. Esse tipo de diálogo faz (ou melhor, deveria fazer) as pessoas se tornarem mais flexíveis e tolerantes com as diferenças. Eu falaria também sobre os erros do tipo "pra mim ler", que são remediados com o mesmo ...er, argumento, só que aí entra o tal do preconceito linguístico, do qual estou tentando me curar.
Outra coisa que eu acho bestinha: "gosto não se discute". Hã? Beg your pardon? Gosto é sim para ser discutido, dividido, pelo menos entre pessoas que saibam fazê-lo. É, talvez seja esse o problema.
Preciso de métodos para tudo. Se forem preestabelecidos, melhor ainda.
Não sei terminar coisas.
Eu amo obedecer. As minhas coisas eu começo e só termino. As dos outros, eu termino. Quando me mandam, é óbvio.
Tentei tanto terminar várias das minhas coisas, mas sabe, algo sempre acontece para me impedir. Ou será que eu é que aconteço as coisas para me impedir? Como se eu não soubesse a resposta.
Só me faço um monte de pergunta boba, cujas respostas eu já sei há muito, mas simplesmente não consigo responder.
Estou andando por uma estrada, e então ela muda de rumo e eu nem percebi. Nem quando cheguei lá. Não, eu sou tão espertinha que só percebo muito depois.
Cadê?
Cadê?
Aprendendo algum valor da solidão. (?)
A vida era tão boa quando eu não tinha um passado. Quando minhas regras eram as minhas regras.

