Não sei se estou fazendo as mudanças necessárias das quais necessitava desde o primeiro aspecto partil, ou se estou desesperadamente tentando controlar as coisas que deveriam mudar naturalmente. Fiz minha decisão, vou fazer as mudanças que certamente são necessárias neste momento. Podem não sê-lo amanhã, mas, desde a semana passada até hoje, são.
Medinho. Mãns...
Não tenho mais conseguido escrever no blog. Mas coisas tão bizarras e assustadoras têm acontecido que vou tentar manter uma constância maior, já que assunto não falta.
Muitas coisas mudaram neste último ano. Foi uma passagem difícil, pois, apesar de minha vida prática nunca ter estado tão boa, eu me senti melancólica na maior parte do tempo. Não que isso seja ruim, mas quando estamos no meio da tormenta não conseguimos enxergar a big picture.
Em 2012 muita coisa importante aconteceu: me tornei definitivamente feminista, iniciei minha carreira astrológica atendendo profissionalmente, iniciei minha pesquisa astrológica sobre BDSM. Isso tudo tem me mudado e moldado muito, isso tudo tem feito parte da maior e mais importante mudança que fiz nos últimos tempos. Esse foi também o ano em que conheci pessoas incríveis e maravilhosas que se tornaram minhas amigas queridas. Não consigo nem expressar a gratidão que sinto por isso ter acontecido. Acho que consegui provar para mim mesma que eu estava certa ao não aceitar qualquer pessoa como amiga. Pode me chamar de arrogante (talvez eu seja mesmo, mas não é por má intenção, juro), mas eu escolhi tanto que agora tenho o prazer de conviver apenas com pessoas de que realmente gosto, que realmente respeito e admiro.
Nunca passei um ano lendo tão poucos livros como em 2012. Pretendo tirar o atraso agora.
Amigo querido: eita menina!
eu que não queria te ver brava!
Eu: por quê? :( tenho cara de assassina?
Amigo querido: de assassina não! de perturbada!!
Eu: sério? :/
Amigo querido: sério! todas as pessoas que eu acho mais legal quando conheço um pouquinho melhor descubro algum "distúrbio".
Eu: ai credo. você sempre achou que eu tinha cara de perturbada?
Amigo querido: I fink u freak and I like u a lot #dieantwoordfeelings
E então vejo uma boa notícia dessas e fico torcendo para ninguém do trabalho falar sobre isso perto de mim. Caso isso aconteça, penso em duas possibilidades:
1) Fingir que acho tudo isso um absurdo. E god knows I don't know how to fucking lie. Fico imaginando as frases que poderia inventar:
- Que absurdo, isso vai acabar com os valores da família brasileira! (será que consigo dizer isso sem ter ânsia de vômito logo em seguida?)
- Minha nossa, mas e agora? Já não basta terem aprovado a união civil de homossexuais e agora essa? (argh)
2) Falar tranquilamente que acho normal e que, se você não quer ter uma união estável com mais de uma pessoa, você não é obrigado. Eu mesma tô aqui, hiper monogâmica e feliz como sempre fui, e a favor de quem quer ter um relacionamento poliamor.
E acrescentaria o exemplo do aborto. Muitas pessoas não conseguem pensar e entender que, se o aborto for legalizado, você não vai precisar matar seu feto de 8 meses que você tentou há cinco anos ter. Não, gente, você vai continuar tendo filhos se assim o quiser.
Acho que não vou usar essa tática, porque eu ouviria muitos argumentos absurdos e eu teria a tal ânsia de vômito.
Esqueci de citar uma parte importante da conversa que mostrei nesse post:
-- Martinho Lutero era espírita.
-- Espírita?!?!!?!?? Martinho Lutero?!?!?!
-- É. Se você for ver o que ele falava, tem muito a ver com o Espiritismo.
(eu tentando ser polida) -- Ele citava algo sobre caridade, e tal? Porque aí até podemos considerar que haja uma analogia ao Espiritismo.
-- Isso, mais ou menos por aí.
WHA?!
Eu sei, eu sei, isso dói. Dói tanto que eu já havia filtrado para o inconsciente.
Fraquejei de novo. Entrei em mais uma discussão infrutífera. Oh céus, o que está acontecendo?
Desta vez foi uma moça do trabalho. Não sei ao certo como, mas ela começou a falar:
-- Tem mulher que gosta de apanhar, que merece, porque escolhe ficar com um vagabundo.
Ai gente, essa misoginia não me desce. Discuti com ela, expliquei que acredito que a culpa não é da mulher, porque a maioria tem medo das ameaças que recebe do marido etc. E ela usou o seguinte brilhante argumento, seguido de minha nobre tentativa de elucidação:
-- A mulher começa a bater no homem e depois ele revida e a culpa ainda é dele?
-- Mas isso não existe, a violência doméstica contra homens simplesmente não é uma realidade estatística no Brasil.
-- Ah, mas tem mulher que merece apanhar mesmo.
Eu tive que mudar de assunto, me fazer de desentendida. Não, não dá para conversar sobre qualquer coisa com qualquer um sem sofrer um enorme desgosto.

