Minha pesquisa

A Gaia Escola de Astrologia incentiva os alunos, a partir do terceiro semestre, a fazer pesquisa, dando bolsa de estudo nas aulas de Metodologia. Aproveitei e abracei mais uma coisa, como se tivesse tempo, e iniciei a minha há alguns meses.
Escolher o tema foi dificílimo. Pensei em estudar os heterônimos do Pessoa, mas para isso eu precisaria de bem mais conhecimento literário do que tenho. Quis estudar as drogas e suas correlações com os planetas e aspectos no mapa natal, história da sexualidade e ciclos de Plutão nos signos e aspectos de Júpiter com Plutão. Acabei optando pelo BDSM associado a planetas e seus posicionamentos e aspectos. Ainda não sei no que vai dar; escrevi só o começo do projeto de pesquisa, mas estou empolgada. Encontrei uma tese sobre o assunto, uma monografia de um Doutor que se graduou na PUC. Entrei em contato com ele, ele deu o maior apoio. Meu orientador é um cara esplêndido, com o qual dá gosto de conviver. Que alegria.
Até agora, estou lendo apenas um livro astrológico sobre o assunto, o Astral Sexual. Não gostei do título e de algumas coisas do livro, mas o encontrei totalmente ao acaso numa livraria (eu nem ao menos compro livros novos!) e é o único que encontrei sobre Astrologia e Fetiche até agora, então, estou feliz e satisfeita.
{Se tiverem livros sobre sexualidade ou Astrologia ou ambos para indicar, I'm waiting! :P}
Outro livro de que beberei informação vai ser A História da Sexualidade do Foucault, porque quero dar embasamento histórico, sociológico e psicológico para falar do tema.

Em um próximo post eu falo o porquê dessa escolha.

Ao meu melhor amigo

Faz mais ou menos dez anos que você perguntou para mim se eu era satanista. Você, lá no fundão, já enturmado, e eu com as meninas médias sem importância, totalmente deslocada. Bom, deslocada eu tinha sido desde que nasci, até te conhecer.
Dói muito lembrar que não nos falamos mais. Eu até que gerenciei bem a memória, para não me culpar tanto e chorar ainda mais.
Afastei-me de você por um motivo plausível, mas nem você nem ninguém sabe qual é. Tentei te falar, mas acho que você não quer mais me ver, o que é totalmente compreensível.
Tenho vergonha de te ver, quando nos encontramos raramente em alguma reunião de amigos em comum. Porque fui uma pessoa péssima por um tempo, fiz escolhas ruins, agi de forma errada. Você foi única pessoa que conheceu o que tenho de melhor e o que tenho de pior. E só merecia o melhor.
Passo 90% dos meus dias sem essas lembranças. Mas quando qualquer emoção minha se exacerba de maneira catastrófica, tanto para a tristeza quanto para a alegria, eu sinto saudade, me arrependo, me culpo, imagino como teria sido se tivesse resolvido tudo antes, se não tivesse me afastado. Me torturo.
Acho que vou morrer com isso, com essas dúvidas e divagações dolorosas que aparecem ocasionalmente, como uma doença crônica.

O nome do blog

Não sei se escrevi sobre isso antes. Desculpe se eu for repetitiva.
The Happy Phantom é uma música da Tori Amos, do álbum Little Earthquakes, meu favorito dela.
Eu gosto muito dessa letra, porque ela me faz pensar na morte de uma maneira bonita e sem vitimização.
Você já pensou nisso? Se você morresse neste momento, você seria um fantasma feliz? Vamos tentar viver a vida para estar pronto para a morte sempre?



And if I die today I'll be the happy phantom
and I'll go chasin' the nuns out in the yard
and I'll run naked through the streets without my mask on
and I will never need umbrellas in the rain
I'll wake up in strawberry fields everyday
and the atrocities of school I can forgive
The happy phantom has no right to bitch

Oo who- The time is getting closer
Oo who- Time to be a ghost
Oo who- Everyday we're getting closer
The sun is getting dim
Will we pay for who we been

So if I die today I'll be the happy phantom
And I'll go wearin' my naughties like a jew
They'll be my ticket to the universal opera
There's Judy Garland taking Buddha by the hand
and then these seven little men get up to dance
They say Confucius does his crossword with a pen
I'm still the angel to the girl who hates to sin

Oo whoo- The time is gettin closer
Oo who- The time to be a ghost
Oo who- Everyday we're getting closer
The sun is getting dim
Will I pay for who I been

Or will I see you dear and wish I could come back
You found a girl that you could truly love again
Will you still call for me when she falls asleep
or do we soon forget the things we cannot see

Oo who- The time is getting closer
Oo who- The time to be a ghost
Oo who- Everyday we're getting closer
The sun is getting dim
Will I pay for who I been

And if I die today
And if I die today
And if I die today
Chasin' nuns out in the yard

Saudade

A palavra "saudade" é endeusada e utilizada à exaustão, por existir apenas em português (é o que dizem; alguém sabe se é verdade? não tô pra pesquisas superficiais hoje. nem pras profundas, actually). Realmente, ela exprime um sentimento bonito de nostalgia, que é completamente diferente da expressão mais próxima para isso na língua inglesa: "I miss you".
Sentir falta é um ato tão egoísta. Na verdade, quando você miss someone, você quer que ela esteja do seu lado. Não pensa nela. Legal? Não. E não estou julgando; percebi isso neste exato momento, em que estou sentindo falta de alguém. Queria que ele estivesse aqui comigo.

José

Eu estudo na Gaia Escola de Astrologia. Amo meus professores e colegas, mas a babação de ovo fica para outro post. Desço na estação Paraíso para ir para lá, e quando estava no outro emprego, chegava bem cedo e aproveitava as atrações culturais: gente virtuosa tocando no piano, aquele totem com um pc todo melecado com algum jogo meia boca rodando (o mais legal era o do Toy Story). Até algum tempo, toda sexta-feira tinha um show, mas aí acabou, e o palco virou um lounge informal onde as pessoas se encontram. Ah, também tem uma biblioteca ali. Que espaço legal de se ficar.
Em algum dia de janeiro aconteceu algo muito legal. Conheci o José. Eu estava sentada no tal palco, lendo algum livro de Astrologia enquanto ouvia alguma pessoa tocar uma sonata do Beethoven. Então, um senhor de terno sentou por perto, e eu, espécime de pessoa efusiva e sociável que todos adoram dizer detestar, fiz algum comentário pífio do tipo "nossa, e esse frio, hein?". E então engatamos um papo cabeça despretensioso. Ele me contou dos filhos, da filha mais velha que namorou cinco anos e ficou na fossa quando foi obrigada a terminar porque não estava feliz, do filho que iria começar a faculdade naquele ano. Me disse para aproveitar essa fase de namoro, porque depois do casamento vêm os filhos e as responsabilidades e a gente sente muita falta dessa alegria constante que é esperar as pessoas para nos encontrar e dar beijinhos. Quase falei pra ele "esse problema não vou enfrentar, porque não vou ter filhos!", mas seria meio inadequado. Enfim, ouvi aquelas palavras e quis mesmo aproveitar tudo aquilo, mas depois de algumas semanas isso simplesmente evaporou na minha mente.
Ele também contou do sobrinho que não gostou do livro do Hemingway que ele deu de presente, mas adorou Percy Jackson. Recomendou que eu lesse Camus, falamos sobre García Marquez e Bach. Foram quinze minutos muito preciosos.
Perguntei a ele o que ele fazia ali, e ele havia acabado de visitar a mãe que estava internada num hospital próximo. Estava esperando o metrô ficar mais vazio e confortável. Fiquei com o coração partido. Torci muito para correr tudo bem com todos, porque é muita hipocrisia ter esperança de que ela não morresse. Sabe, a vida é assim mesmo, mas ainda não nos acostumamos; queremos ser donos da pessoa e sermos dela para sempre, e a natureza não é assim. Isso faz com que sintamos muita, muita dor e, especialmente, sofrimento.
Depois de algum tempo, ele falou com um ar paternal: vai lá ver seu namorado, e boa aula! E assim fiz: fui, como se fosse uma ordem realmente superior.
Provavelmente nunca o verei de novo, mas acho que a conversa vai ficar gravada em mim para sempre.

E ainda não li Camus.

O que mudou em mim

- Faz algum tempo que não me interesso mais por música como costumava. Na adolescência e início de adultice, certas canções modificavam completamente meu estado de espírito, e eu utilizava delas exatamente com esse direcionamento terapêutico. Ouvir Beatles me trazia ótimas lembranças de uma vida simples e com preocupações pequenas. Ouvir as bandas de thrash metal me fazia treinar loucamente na guitarra, e melhorar muito minha falta de técnica, fazia do meu ouvido cada vez mais preciso. Ouvir Foo Fighters e RHCP me causava uma esperança enorme de ser rockstar um dia, ao cantar todas as letras com o rigor de quem leu o encarte cinquenta mil vezes (mesmo que a afinação não fosse tão perfeita assim).
Pois bem, agora sou uma pessoa que simplesmente liga o rádio na Kiss e ouve, sei lá, ZZ Top e acha "legal". Toca Iron Maiden e acha "bacana". WTF has happened to me?!

- Deixei de ler meus livros favoritos de famigerada autoajuda. Louise Hay, da qual fui leitora fervorosa por tanto tempo, e cujos escritos me inspiraram tanto e me fizeram ter resultados esplêndidos. Não é nem por causa do preconceito (completamente compreensível!) contra esse gênero. Até mesmo porque eu também detesto 98% dessa suposta literatura repleta de títulos chamativos e conteúdos ínfimos. O motivo da minha mudança é bem pior: a falta de disciplina e o excesso de preguiça, displiscência e negligência. Todos sabemos o quão difícil é mudar nossos padrões mentais, nossa filosofia intrínseca -- chame do que quiser. Acomodação, rigidez e outras pedras que estão no caminho tornam-se, por vezes, impedimentos e desculpas para não seguirmos adiante em nossa nova empreitada. No meu caso, consegui ter e ver na prática os resultados do tal do pensamento positivo, durante bastante tempo. Acabei abandonando tudo, e não sei onde nem quando perdi o fio da meada. Só sei que agora quero encontrá-lo o quanto antes.

- Esta mudança está ligada com a acima, mas implica em outras coisas. Deixei de ser otimista para ser a mais ranzinza das pessimistas fatalistas raivosas. As pessoas não aguentam mais, e eu mesma também não me aguento mais. As pessoas estão certas, é insuportável estar perto de um reclamão. Creio que, quando tiver novamente disciplina para me alinhar com coisas mais positivas e doutrinar melhor minha mente, esta mudança medonha terá desaparecido da minha vida.

- Deixei de ser uma mão de vaca irremediável. Esta deve ser a única mudança positiva ocorrida. Ok, houve uma longa época dificílima, financeiramente falando, na minha vida, portanto, não tive escolha quanto a esse comportamento. Mas prolonguei esse conceito por mais tempo do que precisava, e fui muito avarenta. Não sei se, quando mudei meu comportamento, minhas finanças melhoraram, ou se as finanças melhoraram e então eu melhorei. Mas hoje, ao menos, não julgo mais as pessoas que gastam certa quantia de dinheiro com algo que não considero essencial.

Quero fazer uma parte dois, dessa vez com coisa boa. Quem sabe.

Phoebe Buffay wannabe

Tô afins de sair do país e ficar tocando violão na rua juntando uns trocados e com subempregos por aí, quem sabe daqui a algum tempo até fazendo atendimentos astrológicos... E deixar de viver a tal da vida medíocre que quase todos vivemos. Sim, eu sei que não precisa de tudo isso para não ser superficial, mas acho que ainda não aprendi a mudar as coisas de maneira não radical.


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São Paulo, São Paulo, Brazil
Desesperada e entusiasmada. Resmungona e sorridente. Divirto-me com pouco.

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