Preciso rasgar e jogar fora. Decepcionei-me e fui decepcionante. As magias todas foram embora; eu mesma fui embora. A força foi confinada, e me entreguei a uma neblina brilhante da qual não sei me libertar. Achava que no caminho havia várias pedras, mas não; na verdade há um círculo, e as pedras que encontro são sempre as mesmas. Poucas, mas certeiras. Encontro também arbustos floridos, lindas folhas secas e sinto brisas mornas deliciosas, compilando todas as estações em um momento. Serão essas alegrias sempre as mesmas? I'm wondering. Total desajuste, total instabilidade, total oscilação, total inconsciência. Quanto mais anseios por controle, mais tombos. Tentar modificar superficialmente agrava quaisquer sintomas. O que é superficialidade na abordagem da existência? E os outros caminhos?
Let's wonder.
Acordei às 2:59, agitada e assustada. Quando voltei a dormir...
Eu estava num hospital cheio de crianças e bebês doentes, tendo atitudes estranhas. Descobrimos que elas estavam possuídas por forças malignas, e uma das enfermeiras me disse que precisaríamos enviar muita luz e aumentar nossa vibração para que isso passasse, pois havia se tornado algo frequente.
Apareci deitada em uma cama bem macia do hospital, e me preparava para dormir, quando ouvi uma voz feminina dizendo: "o conceito de Erê que vocês ocidentais têm é totalmente deturpado. O Erê é uma espécie de demônio que tenta o tempo todo seduzir garotas, em especial garotas branquinhas", e então eu comecei a me debater, enquanto um objeto com um simbolo que misturava uma cruz com uma foice se movimentava e me perfurava os ombros.
Isso tudo sumiu e convidei minha mãe e irmã para irmos no show do Rolling Stones, pois era o terceiro e último dia da turnê aqui, então o ingresso estava barato (R$ 40,00) e o lugar estaria vazio. O Rafa se prontificou a ir conosco, mas eu não havia comprado o ingresso dele. Ele disse que não fazia mal; esperava a gente do lado de fora mesmo. O show começou com Wild Horses, que eu adoro, e antes da segunda música, Mick falou algumas coisas em português super fluente, e começou a cantar What's Going On? do Marvin Gaye. Na segunda estrofe, ele começou a passar o microfone de pessoa em pessoa da segunda fileira (onde eu estava), e quando o microfone chegou na minha mão, cantei "Don't punish me with brutality; talk to me, so you can see what's going on", mas o microfone tinha parado de funcionar. Mick subiu de volta no palco, tentou arrumá-lo (o microfone, ambiguidade filhadamãe), mexeu nos amplificadores de retorno, falou com o Ronnie Wood. Tudo sem sucesso. E o show acabou! Ah, quanta frustração. Quarenta pila por uma música e meia, for Christ's sake! Mas quando saímos, o Rafa estava lá me esperando. :)
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E meu colega: "coitado do Mandela, a bisneta dele morreu, justo ele que lutou tanto pelo país". Eu: "mas todos morrem". Ele: "mas era importante para ele". Eu: "mas todos são importantes, e todos morrem". Ele: "ah, você entendeu o que eu quis dizer". Eu detesto essa desculpinha esfarrapada: "ah, você entendeu". Se alguém não entendeu ou você falou algo de que alguém discorda, por que ter essa atitude defensiva tola? Cara, eu adoro quando todos discordam de mim, porque me faz pensar. Esse tipo de diálogo faz (ou melhor, deveria fazer) as pessoas se tornarem mais flexíveis e tolerantes com as diferenças. Eu falaria também sobre os erros do tipo "pra mim ler", que são remediados com o mesmo ...er, argumento, só que aí entra o tal do preconceito linguístico, do qual estou tentando me curar.
Outra coisa que eu acho bestinha: "gosto não se discute". Hã? Beg your pardon? Gosto é sim para ser discutido, dividido, pelo menos entre pessoas que saibam fazê-lo. É, talvez seja esse o problema.
Preciso de métodos para tudo. Se forem preestabelecidos, melhor ainda.
Não sei terminar coisas.
Eu amo obedecer. As minhas coisas eu começo e só termino. As dos outros, eu termino. Quando me mandam, é óbvio.
Tentei tanto terminar várias das minhas coisas, mas sabe, algo sempre acontece para me impedir. Ou será que eu é que aconteço as coisas para me impedir? Como se eu não soubesse a resposta.
Só me faço um monte de pergunta boba, cujas respostas eu já sei há muito, mas simplesmente não consigo responder.
Estou andando por uma estrada, e então ela muda de rumo e eu nem percebi. Nem quando cheguei lá. Não, eu sou tão espertinha que só percebo muito depois.
Cadê?
Cadê?
Aprendendo algum valor da solidão. (?)
A vida era tão boa quando eu não tinha um passado. Quando minhas regras eram as minhas regras.
Não discuto política há uns cinco anos.
Política fazia uma parte importante dos meus pensamentos até o final da adolescência. Nasci em showmícios do PT (meu pai era músico e tocava neles). Durante um deles, a favor das diretas já, em 1989, no auge do meu primeiro ano de vida, ganhei um beijinho na bochecha do Lula. Não é bizarro pensar nisso? É, na época que ele era barbudão de verdade. E aos meus dois anos, papai e mamãe me ensinaram a dizer "Collor ladrão". E depois "Maluf ladrão", e tudo o mais. No começo da adolescência, comecei a pesquisar mais e me aprofundar (bem menos do que poderia) no assunto, e fui me esquerdando cada vez mais. Mas depois que aprendi mais sobre espiritualidade e psicologia (bem menos do que poderia), mudei muito minhas convicções, que eram bem rígidas, e continuo mudando. Não, não sou de direita, e nesta altura do campeonato nem sei se esses lados existem de verdade. Não quero mais polarizar dessa forma. Considero-me anarquista, porque é o ideal de liberdade em que acredito. Algo sem a vitimização e sem a agressividade presentes nos "lados".
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Estou ficando cada vez mais louca, mas minha intuição nunca esteve tão livre.
Eu quero parar de odiar qualquer coisa que seja. Para ter mais motivos para agradecer, precisamos estar dispostos a agradecer tudo. Eu tenho a mania de ficar julgando todas as pessoas, governos e instituições capitalistas grandes pelo que há de pior, e pela suposta falta de integridade de tudo e todos. E poxa, que que eu tenho a ver com isso? Tudo! Por isso mesmo seria estúpido apenas julgar e criticar tudo o que está à minha volta.
Sabe aquele discursinho superficial de "podemos mudar o mundo, se nos unirmos, se não aceitarmos tudo do goveeeeerno", e blablablá? Ele é verdadeiro, mas só se mudarmos por dentro, nos pensamentos e sentimentos, inclusive em relação ao que odiamos. Atitude de verdade é isso, é mudar, e não exigir revoltadtinho, com ou sem causa.
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Algumas dúvidas estão me cutucando, e permiti que elas escalassem até o topo da montanha imensa das coisas que remoo. E aí surgiu mais uma dúvida: acabo com com essa dúvida agora, ou deixo para a hora exata? Dúvida, pelo jeito, é prima distante da mentira: você cria mais um monte para alimentar a primeira.
Consegui me divertir bastante no final de semana, depois de tantos dias de privação total.
Fui à mostra do projeto Maitréia, no Centro Cultural Hiroshima (saiba mais sobre o projeto). Foi uma baita experiência maravilhosa, que me mostrou sutilmente como tenho estado desconectada, de várias formas. Minhas introspecções deixaram de ser contemplativas, e minhas solidões deixaram de ser meditativas. Well, sempre é hora de mudar. E acho que estou chegando perto.
Depois de tantos questionamentos sobre emoção e razão, li ótimos artigos (alguns no Astrodestino, um dos meus blogs de astrologia favoritos),que iluminaram minha mente, e tive experiências que me libertaram de muitas formas. Assisti filmes, li trechos de livros. Uns totalmente emocionais, uns totalmente racionais, mas a maioria fazendo um lindo diálogo entre essas duas expressões da razão humana de yin e yang. Chorei de emoção sem me culpar e elaborei rápidas e complexas teorias sobre verdades da existência. Fui romântica e resolvi problemas difíceis com ideias objetivas. Ainda estou aprendendo a calar a boca, mas estou longe da matraca violenta que já me possuiu.
Ao menos não sou mais a mesma.
Eu me obriguei inconscientemente a viver de maneira totalmente subjetiva, nesta lua minguante. Peguei uma baita gripe e ficarei off até dia 7. É a terceira gripe das boas que pego em dois meses.
Senti-me desconfortável durante alguns dias, sob vários aspectos. É sempre uma lição; sempre. Esta foi bem dolorosa, e me cutucou nas feridas ainda não cicatrizadas, que eu nem sabia que ainda tinha. Talvez por eu tê-las criado há pouco tempo, em tempos de esquecimento e indiferença negativa.
As sombras do meu interior me encararam e ainda estão me encarando, com raiva, mágoa e rancor. Mas estou escutando todas, com aceitação. A aceitação que me faltou nos últimos tempos, para com todas as situações, adversas ou não -- tornei-as todas adversas, por teimosia.
Desaprendi um monte de coisa, mas pelo menos desta vez não vou culpar ninguém por isso. Estou aprendendo que todos que eu acabo culpando por algo são os que mais me estão ensinando, e a menina mimadinha chorona é que fica esperneando ao invés de entender. Desaprendi inclusive a escrita mínima que eu tinha antes. Paciência; aprendo novamente, rápido rápido.
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Tive alucinações oníricas durante os dodóis sonos de gripe. A maioria foi bem assutadora, mas teve uma parte bem terapêutica numa delas: voltei a um lugar da infância, o clube Corinthians (eu frequentava quando tinha 6 anos e era ainda corinthiana; assistia os treinos e gritava CASAGRANDE, CASAGRANDE, e tinha posteres e uma camiseta de quando a Kalunga ainda era a patrocinadora do Timão. Lembram das chuteiras coloridas do Viola? I do...). Eu estava na fila do tobogã, e lá estavam também o Brad Pitt e a Angelina Jolie, brigando. Brad Pitt vira para mim e diz que não a aguenta mais, e olhando bem no fundo dos meus olhos, diz que se apaixonou por mim e quer viver comigo. Hahahahaha!... Coisa mais absurda, gente. Nunca o achei bonito; porque me aparece em sonho assim? Me senti muito poderosa e com a autoestima alta, ainda mais porque no sonho eu ainda era criança. Estranho, porque meus ídolos de verdade sempre foram considerados feiosos. Ringo Starr, Dave Grohl (tá, ele não).
Well, acordei com o telefone tocando e era o baterista mais bonito do mundo. :)
-- Você estava dormindo?
-- UHUMNNNNNNNNMM...
-- Ah, vai lá dormir então... Depois a gente se fala...
-- Tu tu tu tu tu tu
O último parágrafo foi mais que verdadeiro.
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Vocês conhecem Belchior? Já ouviram a música cujo trecho usei no título do post? Recomendo que escutem o álbum inteiro; é maravilhoso.

