Não sei se escrevi sobre isso antes. Desculpe se eu for repetitiva.
The Happy Phantom é uma música da Tori Amos, do álbum Little Earthquakes, meu favorito dela.
Eu gosto muito dessa letra, porque ela me faz pensar na morte de uma maneira bonita e sem vitimização.
Você já pensou nisso? Se você morresse neste momento, você seria um fantasma feliz? Vamos tentar viver a vida para estar pronto para a morte sempre?
And if I die today I'll be the happy phantom
and I'll go chasin' the nuns out in the yard
and I'll run naked through the streets without my mask on
and I will never need umbrellas in the rain
I'll wake up in strawberry fields everyday
and the atrocities of school I can forgive
The happy phantom has no right to bitch
Oo who- The time is getting closer
Oo who- Time to be a ghost
Oo who- Everyday we're getting closer
The sun is getting dim
Will we pay for who we been
So if I die today I'll be the happy phantom
And I'll go wearin' my naughties like a jew
They'll be my ticket to the universal opera
There's Judy Garland taking Buddha by the hand
and then these seven little men get up to dance
They say Confucius does his crossword with a pen
I'm still the angel to the girl who hates to sin
Oo whoo- The time is gettin closer
Oo who- The time to be a ghost
Oo who- Everyday we're getting closer
The sun is getting dim
Will I pay for who I been
Or will I see you dear and wish I could come back
You found a girl that you could truly love again
Will you still call for me when she falls asleep
or do we soon forget the things we cannot see
Oo who- The time is getting closer
Oo who- The time to be a ghost
Oo who- Everyday we're getting closer
The sun is getting dim
Will I pay for who I been
And if I die today
And if I die today
And if I die today
Chasin' nuns out in the yard
A palavra "saudade" é endeusada e utilizada à exaustão, por existir apenas em português (é o que dizem; alguém sabe se é verdade? não tô pra pesquisas superficiais hoje. nem pras profundas, actually). Realmente, ela exprime um sentimento bonito de nostalgia, que é completamente diferente da expressão mais próxima para isso na língua inglesa: "I miss you".
Sentir falta é um ato tão egoísta. Na verdade, quando você miss someone, você quer que ela esteja do seu lado. Não pensa nela. Legal? Não. E não estou julgando; percebi isso neste exato momento, em que estou sentindo falta de alguém. Queria que ele estivesse aqui comigo.
Eu estudo na Gaia Escola de Astrologia. Amo meus professores e colegas, mas a babação de ovo fica para outro post. Desço na estação Paraíso para ir para lá, e quando estava no outro emprego, chegava bem cedo e aproveitava as atrações culturais: gente virtuosa tocando no piano, aquele totem com um pc todo melecado com algum jogo meia boca rodando (o mais legal era o do Toy Story). Até algum tempo, toda sexta-feira tinha um show, mas aí acabou, e o palco virou um lounge informal onde as pessoas se encontram. Ah, também tem uma biblioteca ali. Que espaço legal de se ficar.
Em algum dia de janeiro aconteceu algo muito legal. Conheci o José. Eu estava sentada no tal palco, lendo algum livro de Astrologia enquanto ouvia alguma pessoa tocar uma sonata do Beethoven. Então, um senhor de terno sentou por perto, e eu, espécime de pessoa efusiva e sociável que todos adoram dizer detestar, fiz algum comentário pífio do tipo "nossa, e esse frio, hein?". E então engatamos um papo cabeça despretensioso. Ele me contou dos filhos, da filha mais velha que namorou cinco anos e ficou na fossa quando foi obrigada a terminar porque não estava feliz, do filho que iria começar a faculdade naquele ano. Me disse para aproveitar essa fase de namoro, porque depois do casamento vêm os filhos e as responsabilidades e a gente sente muita falta dessa alegria constante que é esperar as pessoas para nos encontrar e dar beijinhos. Quase falei pra ele "esse problema não vou enfrentar, porque não vou ter filhos!", mas seria meio inadequado. Enfim, ouvi aquelas palavras e quis mesmo aproveitar tudo aquilo, mas depois de algumas semanas isso simplesmente evaporou na minha mente.
Ele também contou do sobrinho que não gostou do livro do Hemingway que ele deu de presente, mas adorou Percy Jackson. Recomendou que eu lesse Camus, falamos sobre García Marquez e Bach. Foram quinze minutos muito preciosos.
Perguntei a ele o que ele fazia ali, e ele havia acabado de visitar a mãe que estava internada num hospital próximo. Estava esperando o metrô ficar mais vazio e confortável. Fiquei com o coração partido. Torci muito para correr tudo bem com todos, porque é muita hipocrisia ter esperança de que ela não morresse. Sabe, a vida é assim mesmo, mas ainda não nos acostumamos; queremos ser donos da pessoa e sermos dela para sempre, e a natureza não é assim. Isso faz com que sintamos muita, muita dor e, especialmente, sofrimento.
Depois de algum tempo, ele falou com um ar paternal: vai lá ver seu namorado, e boa aula! E assim fiz: fui, como se fosse uma ordem realmente superior.
Provavelmente nunca o verei de novo, mas acho que a conversa vai ficar gravada em mim para sempre.
E ainda não li Camus.
- Faz algum tempo que não me interesso mais por música como costumava. Na adolescência e início de adultice, certas canções modificavam completamente meu estado de espírito, e eu utilizava delas exatamente com esse direcionamento terapêutico. Ouvir Beatles me trazia ótimas lembranças de uma vida simples e com preocupações pequenas. Ouvir as bandas de thrash metal me fazia treinar loucamente na guitarra, e melhorar muito minha falta de técnica, fazia do meu ouvido cada vez mais preciso. Ouvir Foo Fighters e RHCP me causava uma esperança enorme de ser rockstar um dia, ao cantar todas as letras com o rigor de quem leu o encarte cinquenta mil vezes (mesmo que a afinação não fosse tão perfeita assim).
Pois bem, agora sou uma pessoa que simplesmente liga o rádio na Kiss e ouve, sei lá, ZZ Top e acha "legal". Toca Iron Maiden e acha "bacana". WTF has happened to me?!
- Deixei de ler meus livros favoritos de famigerada autoajuda. Louise Hay, da qual fui leitora fervorosa por tanto tempo, e cujos escritos me inspiraram tanto e me fizeram ter resultados esplêndidos. Não é nem por causa do preconceito (completamente compreensível!) contra esse gênero. Até mesmo porque eu também detesto 98% dessa suposta literatura repleta de títulos chamativos e conteúdos ínfimos. O motivo da minha mudança é bem pior: a falta de disciplina e o excesso de preguiça, displiscência e negligência. Todos sabemos o quão difícil é mudar nossos padrões mentais, nossa filosofia intrínseca -- chame do que quiser. Acomodação, rigidez e outras pedras que estão no caminho tornam-se, por vezes, impedimentos e desculpas para não seguirmos adiante em nossa nova empreitada. No meu caso, consegui ter e ver na prática os resultados do tal do pensamento positivo, durante bastante tempo. Acabei abandonando tudo, e não sei onde nem quando perdi o fio da meada. Só sei que agora quero encontrá-lo o quanto antes.
- Esta mudança está ligada com a acima, mas implica em outras coisas. Deixei de ser otimista para ser a mais ranzinza das pessimistas fatalistas raivosas. As pessoas não aguentam mais, e eu mesma também não me aguento mais. As pessoas estão certas, é insuportável estar perto de um reclamão. Creio que, quando tiver novamente disciplina para me alinhar com coisas mais positivas e doutrinar melhor minha mente, esta mudança medonha terá desaparecido da minha vida.
- Deixei de ser uma mão de vaca irremediável. Esta deve ser a única mudança positiva ocorrida. Ok, houve uma longa época dificílima, financeiramente falando, na minha vida, portanto, não tive escolha quanto a esse comportamento. Mas prolonguei esse conceito por mais tempo do que precisava, e fui muito avarenta. Não sei se, quando mudei meu comportamento, minhas finanças melhoraram, ou se as finanças melhoraram e então eu melhorei. Mas hoje, ao menos, não julgo mais as pessoas que gastam certa quantia de dinheiro com algo que não considero essencial.
Quero fazer uma parte dois, dessa vez com coisa boa. Quem sabe.
Tô afins de sair do país e ficar tocando violão na rua juntando uns trocados e com subempregos por aí, quem sabe daqui a algum tempo até fazendo atendimentos astrológicos... E deixar de viver a tal da vida medíocre que quase todos vivemos. Sim, eu sei que não precisa de tudo isso para não ser superficial, mas acho que ainda não aprendi a mudar as coisas de maneira não radical.
Where am I? WHO am I?
Depois de ensaiar por meio ano escrever algum post aqui, digito apressadamente um post de impulso, sem programações, sem revisões, sem nada.
Porque acho que estou no caminho errado. E olha que muita coisa tá certa.
Deixei coisas e pessoas pra trás que não deveriam ter sido tratadas dessa forma, como descartáveis. Acho que elas ainda deveriam estar aqui, comigo. Se eu as tivesse perdido, a conformação já estaria instaurada, mas não. Abandonei. Putz, como isso dói... Em horas específicas. Aí a dor fica condensadinha. Legal usar diminutivo em coisas nada leves; pura ironia criativa.
E aí tô aqui, fazendo um exercício de fazer coisas de uma forma bem banal, simplesmente escrevendo alguma coisa nada positiva sobre meu momento atual. Mas anyway, espero que me faça bem, e desculpe bombardear quem quer que leia este meu coiso com tudo isso.
***
Aproveitarei para contar que neste hiato saí do meu último emprego, tentei um negocinho com MUITO otimismo (e até ingenuidade) que não deu certo (Oficina da Debora), comecei um trampo novo que fica longe da minha casa mas estou gostando, voltei a tocar com o KatzenMuzik, com um amigo queridíssimo, íssimo mesmo, nos vocais mas a fase já acabou e agora não sei quando tocarei uma guitarra com outras pessoas novamente, comecei a estudar administração (boa pergunta! também não sei porquê!) e obviamente não aguentei nem um semestre -- puta coisa écot isso de adeêmi --, e o principal: estou, desde fevereiro, estudando astrologia na Gaia Escola de Astrologia com meu namorado, que inclusive é um brilhante aluno e colega. A experiência está sendo mega gratificante. Agora tenho essa nova meta: ser astróloga. Tô colocando uma meta de uns 4 ou 5 anos para começar a atender, até lá quero fazer algumas especializações, talvez nem todas relacionadas tão diretamente à própria Astrologia. Mas o mais importante é saber tudo o que quero saber, porque ainda não tenho certeza de que serei uma boa astróloga, e isso é algo em que deve-se ser realmente bom pra exercer.
É, that's it. É pra isso que serve também um diariozinho virtual, né. Pra despejar umas coisitas.
Eu era criança, ainda; tinha provavelmente nove anos, no auge das minhas inseguranças misturadas com vontade de viver alegremente, aproveitando cada momento (pena que os momentos não eram assim tão bons). E estava com três outras crianças muito queridas, dois meninos e uma menina, em frente à casa da minha vó, brincando em volta de uma árvore. A árvore tinha um tronco grosso e copa muito cheia, com rosas cor-de-rosa imensas, brilhantes. O vento estava forte, mas agradável, com temperatura perfeita. Ríamos muito, enquanto as rosas se desprendiam dos ramos e voavam em nossa direção, deixando rastros de um perfume delicioso.
Um moço apareceu no portão, acompanhado de um porquinho médio, preto e branco, muito fofo, e parecia estar sendo muito bem tratado. Até que o cara disse que, como era natal, o porquinho seria parte da ceia. No mesmo instante em que o porquinho ouviu isso, olhou diretamente para mim, nos meus olhos, e pediu para eu não permitir que isso acontecesse. O desespero dele era tão grande, e ele já podia pressentir a dor e o sofrimento que estavam por vir. E eu também senti tudo isso; senti tudo junto com ele, em uma união telepática inexplicável para quem prefere não enxergar as coisas. Enquanto o porquinho era levado para os fundos para ser "sacrificado", olhando para trás e me pedindo com os olhos, eu me desesperei e comecei a chorar copiosamente. O sentimento era tão forte. Como é doloroso viver em um mundo onde se mata bichinho. Será que eu posso me mudar para um outro mundo? Será que isso vai durar para sempre? Quantos animais estão morrendo repletos de sofrimento neste exato momento?
Acordei chorando muito. Solucei tanto que meus pulmões doeram. Mas eu, garota abençoada que sou, estava passando a madrugada do natal ao lado do Maioral, o cara mais lindo que há. Ele me acolheu e acalmou, me trouxe um copo d'água e ficou bem perto até eu dormir de novo. Ele me entendeu de verdade, ele também, como eu, parou de comer carne em um natal, assustado com o fato de pessoas comemorarem o nascimento do barbudo doidão exibindo animais mortos inteiros na mesa de jantar.
Esse sonho de natal foi doloroso e, ainda assim, muito mais bonito que a realidade.
Que venha o sonho de reveillón.

