Tempo surreal

Depois de tanto falar desesperadamente sobre tempo, hoje meu relógio parou. Observei que um fiozinho vinho da minha blusa de lã estava prendendo os ponteiros num emaranhado no eixo. Como o maldito atravessou o vidro, eu não sei. Sei que quando vi isso e comecei a tentar desvendar o mistério, imediatamente o telefone tocou (e parecia estar tão mais alto que de costume!) e me assustei. Saí correndo para atender, derrubando tudo. Ao voltar, vi meu relógio querido desfalecido no chão de porcelanato (gente, porcelanato é tudo; de fácil manutenção sem aquela frieza que esses pisos em geral têm -- desculpa, minha alma de Designer está se evidenciando às vezes), com o vidro quebrado em dois, do lado. Tirei o fio de lã, e preferi parar de pensar nisso; mais tarde preparo o cortejo fúnebre.
O mais engraçado (ou irônico? Aliás, O Lado Irônico da Vida é tudo; May Dave Berg rest in peace) de tudo é que percebi o fio intruso no relógio exatamente na parte de Alice no País das Maravilhas em que o chapeleiro maluco fica falando que o relógio dele só mostra anos e meses. E eu, que sempre penso no tempo, fiquei viajando bonito. Não parece um sinal? Só queria saber decifrá0lo. Pelo visto Lewis Carrol está me fazendo o imenso favor de tornar minha vida cada vez mais surreal. Thank you, Mr. Carrol (estou certa de que li alguém falando isso da desses; se for você, pago copyrights, é só mandar o número da conta).
E pessoal... Já sabem o que me dar de aniversário, né? Sou um bocado militar, ainda; detesto me atrasar.

 

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Desesperada e entusiasmada. Resmungona e sorridente. Divirto-me com pouco.

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