Os fios de alta tensão estáticos diante do céu azul-poluição são incrivelmente belos.
sinto nostalgia antecipada agradecendo por estar exatamente aqui, neste exato momento.
Todos os espelhos à minha volta já estão mostrando minhas bem-sucedidas mudanças, e esta é a primeira vez que consigo fazê-las sem dores agonizantes.
Finalmente minha suposta distorção de valores está a meu favor e consequentemente de todos que estão comigo.
Expansão, paz, divina indiferença e divina alegria.
Construindo. E incinerando.
Purification by fire
Transformation is rapture
Rapture comes with fire's flavor
The sound flows
Sonically abrasive revolution
Rises the construction
A internet foi dolorosamente arrancada de mim.
Tenho escrito apenas coisas bem introspectivas no diariozinho real, com canetas de gel coloridas e cheirosas.
Para resumir até eu conseguir voltar a escrever com freqüência, tudo está tão diferente, tão mudado, tão bom, que mal consigo expressar em palavras; só quero sorrir e agradecer all day long.
Algumas coisas ainda precisam ser resolvidas, mas já estou organizando tudo.
"E os seres humanos", pensava -- como padrões vivos no espaço, como eram incrivelmente sutis, ricos e complexos, individualmente! Mas, a marca que deixavam no tempo, o padrão de suas vidas privadas, meu Deus, que horror de rotina! Como os desenhos repetidos numa passadeira de lonóleo, como uma série de ladrilhos ornamentais idênticos ao longo das paredes de um mictório público."
Huxleyzinho, só você mesmo para conseguir descrever a mediocridade humana referenciando interiores. Thanks.
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Não sei o que é pior: medo ou culpa. Já sei! São os dois juntos!
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Aquela minha viagenzinha sobre a espiral da minha evolução sobre a qual nunca conseguirei escrever está sendo bem real.
Ouvir a 4ª do Beethoven com a Sinfônica de Londres foi deveras emocionante.
O TCC está me enlouquecendo.
Tenho iniciativa e me falta terminativa. Comecei O Tempo Deve Parar do Huxley; sugestivo. Esse cara é foda. Inspirador ao extremo.
Ouvindo muito o Antichrist Superstar. I am anything when I'm high.
Férias chegando. E semestre que vem lá estou eu no Cacá de novo, assistindo as matérias mais maçantes umas três vezes por semana.
Está tudo tão bem, mas tão bem, que o medo apareceu e já se dissolveu.
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Sonho:
Uma voz estranha, grave, profunda e calma me diz: "Você deve matar a Debora...", enquanto aparecem à minha frente um conjunto de pequenas agulhas cromadas bem brilhantes. "Para você nascer, precisa morrer". Não fazia idéia de como me matar com ferramentas tão frágeis, mas acho que entendi a mensagem.
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Descobri que um bisavô paterno meu se matou enforcado numa gravata. Suicidal Tendencies.
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Juro que depois do TCC eu me comunico com um pouco mais de eficiência.
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Descobri também que a família da mãe da minha avó paterna era dos Anjos. Aí lembrei de Augustinho querido:
A DANÇA DA PSIQUE
A dança dos encéfalos acesos
Começa. A carne é fogo, A alma arde, A espaços
As cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombam, cedendo à ação de ignotos pesos!
É então que a vaga dos instintos presos
-- Mãe de esterilidades e cansaços --
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos.
Subitamente a cerebral coréia
Pára. O cosmos sintético da Idéia
Surge. Emoções extraordinárias sinto.
Arranco do meu crânio as nebulosas
E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!
Pesquisando coisas (para desenhar o imenso projeto de um prédio comercial sofisticadíssimo que a Varandona está fazendo para a faculdade) no completo mas nem tanto Neufert - Arte de projetar em arquitetura, encontrei uma parte que ensina a projetar cemitérios; crematórios, necrotérios, lápides. E lá é dito que o terreno mais favorável é com bastante terra, úmido etc.
Ainda me lembro da decepção que foi ver o caixão do meu pai sendo "enterrado" com cimento. Que gente mais sem espírito poético! Outra lembrança dolorosa desse fato é ver um monte de gente da "família" e ninguém vir falar comigo e minha irmã. Tínhamos 13 e 5 anos, respectivamente, na época; que gente mais sem educação e sensibilidade I'm related to! A única pessoa que me deu as mãos e disse um quase sincero "sinto muito" foi a esposa do dono da banda em que o recém-defunto tocava. A pessoa mais distante é que conseguiu ser um tiquinho acolhedora.
Lembro também que não queria de jeito nenhum entrar na sala onde ele estava sendo velado. Sentada do lado de fora, com a camiseta do Dejavu (a tal banda), sem saber o que sentia -- um misto de dor, alívio, auto-piedade. Minha mãe me convenceu a vê-lo, argumentando que seria a última vez e tudo o mais. Cheguei lá dentro sem sentir meu corpo. Avistei o caixão preto lacrado (só havia vidro no rosto dele, que estava sorridente e tranqüilo) e continuei andando, ou sendo levada, não sei. Coloquei meus olhos lá dentro e então senti minhas pernas e ombros pesando toneladas. Soluço. O soluço mais verdadeiro, intenso e doloroso. Gritos. Tudo muito real, vindo de um interior inexplorado e secreto de mim mesma.
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Pensei que tinha curado todo e qualquer resquício e/ou seqüela (treminha linda ♥) por ter sido rejeitada na infância e pré-adolescência.
Mas nas últimas semanas meu cotidiano tem sido tão encatador que minha estúpida insegurança preparou e está pajeando um sentimento quase desesperador de inadequação. Parece que quanto mais me esforço para ser agradável (sem deixar de ser Bululu, obviamente; minha irremediável transparência combinada com impulsividade não permitiriam), mais inadequada e inconveniente me torno, diante das dádivas todas.
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Sou uma menina sem perspectiva de novo. Quer dizer, tenho uma perspectiva. E só uma. Que é visivelmente impossível de ser concretizada.
Sonhei que um cara com quem fiquei há um tempinho me ligava e dizia, aos prantos: "Oi... Debora, estou viciado em você!". W-w-what?! Viciado nimim?? Mas você é que parou de ligar, oras. Thank goodness, aliás.
E então ele começou a produzir uma delicada moldura de quinze centímetros em volta de minha projeção numa espécie de papel com três ou mais dimensões. Ia parando de chorar enquanto minha projeção ia diminuindo no centro da moldura. Ele desapareceu. Apareceu, de repente, The Really Special One, e também construiu uma moldura em volta da projeção, ou reflexo, ou whatever that was. Desta vez, a moldura ficou menor e menor e menor, e então ele foi visitar aquela holografia de Debora. E apareceu meu lado e me abraçou longamente.
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Ter estado dodói semana passada foi quase um alívio, por eu ter sido obrigada a descansar. E agora o desespero deveria aumentar ainda mais, já que meu serviço está triplicado, assim como minhas coisas escolares. Mãns, por incrível que pareça, estou tranqüila; se eu repetir, repeti; pronto. Fiz cagada, agora vou pagar por ela e começar a fazer as coisas direito, finalmente. Mas é que me falta tesão para essas coisas.
Aliás, ontem enquanto eu limpava minuciosamente a máquina de costura da minha mãe, logo após ter ajudado a fazer o rango, tive um insight. Quero ser housewife. Fazer comida, limpar a casa, fazer crochê.
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E se um dia eu magoei alguém que um dia talvez leia isto aqui:
Perdão.
Ninguém é perfeito, eu sou menos ainda. Mas estou disposta a deixar de ser uma monstra filha da puta. Perdão.
Porque eu não sei falar nem fazer nada por internet, nem por telefone, e muito menos pessoalmente.
Estou no ponto de ônibus, e já era para eu estar no escritório. Não vou gastar meus preciosos créditos com a Varandona, mas estou morrendo de vergonha, pois ainda sou militaresca, e atraso é uma das coisas que mais me emputecem.
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Porra. Agora entendi algo que acontece comigo. Eu coloquei o programa para rodar sem ter feito os algoritmos completos. Faço tudo no automático, mas não especifiquei corretamente e agora fico esquecendo as coisas, deixando trabalhos importantes pela metade e chateando todos à minha volta. Saudade do tempo em que não tinha preguiça de me conscientizar. Estou há um tempão usando coisas que me dopam ao invés de coisas que aumentam minha visão. The wrong drugs.
Olha só, hoje esqueci todo o material que precisava para a aula de ilustração; isso porque fiquei arrumando até meia-noite e meia as coisas que precisava levar. Holy shit.
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Esses romancecos best sellers são bons para duas coisas medíocres das quais gosto pra caramba. Uma é ver o marcador indo com rapidez para o finalzinho, enquanto conto a porcentagem do que já li (e não do que ainda falta; y'know, sou adepta ao otimisminnho e o copo está sempre meio cheio). É totalmente idiota, mas é uma das poucas coisas que fazem manifestar um tiquinho de auto-estima nimim. As outras são ter as unhas e sobrancelhas bem-feitas. Ô mediocridade de mulherzinha.
A outra boa coisa (que na verdade é um vício, um vazio) é a identificação que rola com os personagens (acho que tenho quase certeza de que o certo é As personagens, porque assim me disse a professora Terezinha na segunda série, mas não consigo dizer assim; é muito artista teatral de esquerda, sei lá). Neste que estou lendo agora estou me identificando quase dolorosamente com algumas coisas, algumas aflições.
Os três últimos livros que li não consegui terminar nenhum (eu tentei algumas vezes formular esta frase de maneira melhor, mas não consegui e desisti rápido; alguém tem uma sugestão, por favor? Não que eu costume formular bem as frases, mas é que esta ficou de doer). O Morro dos Ventos Uivantes (72%), Uma Estranha Realidade (85%) e O Caçador de Pipas (esse eu parei na metade, mas na verdade não queria nem ter começado, pois segurá-lo me causava vergonha alheia de mim mesma; já não leio com a freqüência que considero suficiente, e ainda fico pegando essas coisinhas que estão lá em evidência nas livrariazinhas? Pelo menos devo começar pelos clássicos. Pelo menos pelos que sou capaz de ler). É uma merda ter iniciativa mas não ter acabativa. Difícil mesmo.

