Não discuto política há uns cinco anos.
Política fazia uma parte importante dos meus pensamentos até o final da adolescência. Nasci em showmícios do PT (meu pai era músico e tocava neles). Durante um deles, a favor das diretas já, em 1989, no auge do meu primeiro ano de vida, ganhei um beijinho na bochecha do Lula. Não é bizarro pensar nisso? É, na época que ele era barbudão de verdade. E aos meus dois anos, papai e mamãe me ensinaram a dizer "Collor ladrão". E depois "Maluf ladrão", e tudo o mais. No começo da adolescência, comecei a pesquisar mais e me aprofundar (bem menos do que poderia) no assunto, e fui me esquerdando cada vez mais. Mas depois que aprendi mais sobre espiritualidade e psicologia (bem menos do que poderia), mudei muito minhas convicções, que eram bem rígidas, e continuo mudando. Não, não sou de direita, e nesta altura do campeonato nem sei se esses lados existem de verdade. Não quero mais polarizar dessa forma. Considero-me anarquista, porque é o ideal de liberdade em que acredito. Algo sem a vitimização e sem a agressividade presentes nos "lados".
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Estou ficando cada vez mais louca, mas minha intuição nunca esteve tão livre.
Eu quero parar de odiar qualquer coisa que seja. Para ter mais motivos para agradecer, precisamos estar dispostos a agradecer tudo. Eu tenho a mania de ficar julgando todas as pessoas, governos e instituições capitalistas grandes pelo que há de pior, e pela suposta falta de integridade de tudo e todos. E poxa, que que eu tenho a ver com isso? Tudo! Por isso mesmo seria estúpido apenas julgar e criticar tudo o que está à minha volta.
Sabe aquele discursinho superficial de "podemos mudar o mundo, se nos unirmos, se não aceitarmos tudo do goveeeeerno", e blablablá? Ele é verdadeiro, mas só se mudarmos por dentro, nos pensamentos e sentimentos, inclusive em relação ao que odiamos. Atitude de verdade é isso, é mudar, e não exigir revoltadtinho, com ou sem causa.
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Algumas dúvidas estão me cutucando, e permiti que elas escalassem até o topo da montanha imensa das coisas que remoo. E aí surgiu mais uma dúvida: acabo com com essa dúvida agora, ou deixo para a hora exata? Dúvida, pelo jeito, é prima distante da mentira: você cria mais um monte para alimentar a primeira.
Consegui me divertir bastante no final de semana, depois de tantos dias de privação total.
Fui à mostra do projeto Maitréia, no Centro Cultural Hiroshima (saiba mais sobre o projeto). Foi uma baita experiência maravilhosa, que me mostrou sutilmente como tenho estado desconectada, de várias formas. Minhas introspecções deixaram de ser contemplativas, e minhas solidões deixaram de ser meditativas. Well, sempre é hora de mudar. E acho que estou chegando perto.
Depois de tantos questionamentos sobre emoção e razão, li ótimos artigos (alguns no Astrodestino, um dos meus blogs de astrologia favoritos),que iluminaram minha mente, e tive experiências que me libertaram de muitas formas. Assisti filmes, li trechos de livros. Uns totalmente emocionais, uns totalmente racionais, mas a maioria fazendo um lindo diálogo entre essas duas expressões da razão humana de yin e yang. Chorei de emoção sem me culpar e elaborei rápidas e complexas teorias sobre verdades da existência. Fui romântica e resolvi problemas difíceis com ideias objetivas. Ainda estou aprendendo a calar a boca, mas estou longe da matraca violenta que já me possuiu.
Ao menos não sou mais a mesma.
Eu me obriguei inconscientemente a viver de maneira totalmente subjetiva, nesta lua minguante. Peguei uma baita gripe e ficarei off até dia 7. É a terceira gripe das boas que pego em dois meses.
Senti-me desconfortável durante alguns dias, sob vários aspectos. É sempre uma lição; sempre. Esta foi bem dolorosa, e me cutucou nas feridas ainda não cicatrizadas, que eu nem sabia que ainda tinha. Talvez por eu tê-las criado há pouco tempo, em tempos de esquecimento e indiferença negativa.
As sombras do meu interior me encararam e ainda estão me encarando, com raiva, mágoa e rancor. Mas estou escutando todas, com aceitação. A aceitação que me faltou nos últimos tempos, para com todas as situações, adversas ou não -- tornei-as todas adversas, por teimosia.
Desaprendi um monte de coisa, mas pelo menos desta vez não vou culpar ninguém por isso. Estou aprendendo que todos que eu acabo culpando por algo são os que mais me estão ensinando, e a menina mimadinha chorona é que fica esperneando ao invés de entender. Desaprendi inclusive a escrita mínima que eu tinha antes. Paciência; aprendo novamente, rápido rápido.
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Tive alucinações oníricas durante os dodóis sonos de gripe. A maioria foi bem assutadora, mas teve uma parte bem terapêutica numa delas: voltei a um lugar da infância, o clube Corinthians (eu frequentava quando tinha 6 anos e era ainda corinthiana; assistia os treinos e gritava CASAGRANDE, CASAGRANDE, e tinha posteres e uma camiseta de quando a Kalunga ainda era a patrocinadora do Timão. Lembram das chuteiras coloridas do Viola? I do...). Eu estava na fila do tobogã, e lá estavam também o Brad Pitt e a Angelina Jolie, brigando. Brad Pitt vira para mim e diz que não a aguenta mais, e olhando bem no fundo dos meus olhos, diz que se apaixonou por mim e quer viver comigo. Hahahahaha!... Coisa mais absurda, gente. Nunca o achei bonito; porque me aparece em sonho assim? Me senti muito poderosa e com a autoestima alta, ainda mais porque no sonho eu ainda era criança. Estranho, porque meus ídolos de verdade sempre foram considerados feiosos. Ringo Starr, Dave Grohl (tá, ele não).
Well, acordei com o telefone tocando e era o baterista mais bonito do mundo. :)
-- Você estava dormindo?
-- UHUMNNNNNNNNMM...
-- Ah, vai lá dormir então... Depois a gente se fala...
-- Tu tu tu tu tu tu
O último parágrafo foi mais que verdadeiro.
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Vocês conhecem Belchior? Já ouviram a música cujo trecho usei no título do post? Recomendo que escutem o álbum inteiro; é maravilhoso.
Percebi, mais uma vez. Putz, não vai acabar nunca? Eu sempre vou ter coisas a aprender, mas quero aprender de verdade, não ter de repetir de ano tantas vezes. E eu estou aceitando bem, isso, até. Believe me. :-)
"Tem que participar". Lembra?
Eu li aqui algo parecido também. Estar presente. É, eu sei, todos eles falam. Hindus, Budistas, o Osho. Mas só entra na cabeça-dura na hora que tem que entrar, porque -- disse a Cris e tantos outros, e it is so fucking true -- nada acontece por acaso, né.
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É, a alegria da criação e da energia yang em minha existência estiveram escoando desesperadamente. Uns novos propósitos entraram na minha mente de novo, e quem sabe isso me entusiasme novamente para viver, para viver para mim e para o mundo, e não mais só sobreviver.
It's too late. É sempre cedo demais, e está sempre muito tarde.
Hoje tive uma das experiências estéticas mais importantes da minha vida. Não sei se ela em si foi a melhor, mas foi a mais adequada ao momento, completou coisas que eu nem sabia que indagava vagamente na minha mente, a mais sincrônica.
Conheci o músico Marcelo Coelho, numa oficina sobre a influência de Tide Hellmeister nas composições que estão no CD Colagens, que adquiri lá mesmo e me fez entender um pouquinho o jazz. Me senti muito surda por nunca ter ouvido nada desse estilo, mas após a explanação técnica teórica profunda rítmica minha mente se escancarou, após tanto tempo trancada. E a exposição, que é do Tide com participação de um vídeo com trilha musical do Marcelo e um texto maravilhoso que ele escreveu, foi uma das mais lindas que já visitei. A curadoria foi muito cuidadosa e criativa, nesse ótimo conceito de fazer do museu uma casa acolhedora, como se estivéssemos sendo recebidos pelo próprio artista em seu lar doce lar. Era isso que eles queriam, e conseguiram isso e muito mais. Todos se deliciam, os visuais, os auditivos e os cinestésicos. Eu me encantei.
Trecho do texto do músico:
"(...) O Tide me disse, sem falar, que o homem é um Grande Criador, capaz de criar a própria realidade e de experienciá-la plenamente... (...) Estou certo de que O Grande Criador do universo deve ter regozijado ao observar a sua criatura brincando de viver a vida que escolheu, brincando de ser livre no mundo dos homens, escolhendo a cor de seu cada dia (...)"
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Espiritualidade, astrologia, programação neurolinguística, música, arquitetura, design de interiores, artes plásticas, psicologia, mitologia, literatura, filosofia, ufologia, artesanato... Procuro equilibrar essas coisas que estudo e pelas quais me interesso, e sou muito feliz por ir em várias direções e buscar conhecimento em coisas tão diversas, que se analisadas profundamente, se interligam sempre em mim, eu sempre amplio minha visão dessa forma.
Tenho pensado bastante em como as pessoas às vezes se limitam a apenas duas ou três formas de enxergar a vida. Aí as vejo tendo problemas pessoais profundos, mesmo sendo cultas, acadêmicas... Ou pessoas sensíveis e visionárias, que não conseguem ler ou escrever coisa muito mais profunda do que um romance espírita best seller. Respeito todas, mas a totalidade é algo que quero muito para mim, mesmo sabendo que estou longe de alcançá-la. E aí também questiono o que é realmente importante nas pessoas, e meus critérios naturais para escolher e admirar alguém, e há um bom tempo tenho achado que é o caráter, a bondade intrínseca. Acho que é isso mesmo, apesar de todo meu pedantismo e exigência diante dos meus convívios.
Empaquei num trecho de Sem Olhos Em Gaza do Huxley, tamanha identificação que senti. Só conseguia ler e reler a mesma coisa, sabendo que aquilo era uma parte de mim que eu quero tanto arrancar. Tanto, tanto.
"Depois, quando Brian já se tinha ido, sentiu-se envergonhado de sua ignóbil grosseria — humilhado, ao mesmo tempo, pela irreflexão e o automatismo com que se servira de tal linguagem. Automatismo semelhante ao dessas rãs super-nervosas que se contraem e vibram quando se lhes aplica à pele uma gota de ácido. Puro reflexo."
É uma verdadeira humilhação constatar, poucos segundos depois, o automatismo agressivo. Me sinto ignóbil, sem valor, pequena pequena. Ainda faço muito isso, mas quero mudar; estou disposta a mudar. Estou mudando. :-)
Googlem aqui neste site, de hoje em diante. Ajudemos a plantar mais arvorezinhas!

